Lava Jato põe Moro e Delcídio frente a frente

Lava Jato põe Moro e Delcídio frente a frente

Ex-líder do Governo no Senado será ouvido como testemunha de acusação contra o ex-senador Gim Argello em 24 de junho no processo conduzido pelo juiz símbolo da Lava Jato

Julia Affonso, Mateus Coutinho, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

11 de junho de 2016 | 05h00

Sérgio Moro (à esq) e Delcídio Amaral. Fotos: Divulgação e Estadão

Sérgio Moro (à esq) e Delcídio Amaral. Fotos: Divulgação e Estadão

A Operação Lava Jato vai deixar frente a frente o juiz federal Sérgio Moro, símbolo da Operação Lava Jato, e um dos delatores mais decisivos para o andamento da investigação, o senador cassado Delcídio Amaral (ex-PT-MS). O ex-líder do governo Dilma Rousseff no Senado é testemunha de acusação no processo que envolve o também ex-senador Gim Argello (PTB-DF) e prestará depoimento em 24 de junho.

Os delatores da Lava Jato serão ouvidos em dois dias no âmbito desta ação contra Argello. O juiz Moro determinou que em 23 de junho, às 14 horas sejam ouvidos o lobista Julio Camargo, o ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Marques de Azevedo e o empresário Augusto Ribeiro de Mendonça Neto. Em 24 de junho, também às 14h, está marcada a audiência de Delcídio Amaral, o ex-diretor da Andrade Gutierrez Flávio Gomes Machado Filho e o sócio da Engevix José Antunes Sobrinho.

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A delação de Delcídio apontou para a presidente afastada Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, deputados agentes públicos e senadores. Um deles é Gim Argello, cujo mandato terminou em 2014.

Gim Argello está preso desde abril, quando foi capturado na Operação Vitória de Pirro, 28.ª fase da Lava Jato. O ex-senador é réu em uma ação penal por lavagem de dinheiro, formação de organização criminosa e obstrução à investigação.

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O ex-senador é suspeito de receber R$ 5,35 milhões de propina de empreiteiros. Segundo as investigações, ele teria tomado dinheiro de Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, e de Léo Pinheiro, da OAS. Da UTC teria recebido R$ 5 milhões – valor destinado a quatro partidos nas eleições de 2014. Da OAS, outros R$ 350 mil, destinados à Paróquia São Pedro, em Taguatinga, cidade satélite de Brasília.

Em depoimento de delação premiada, Delcídio afirmou que integrantes da CPI Mista da Petrobrás, encerrada em 2014, recebiam propina em dinheiro vivo para evitar a convocação de empreiteiros investigados na Lava Jato. O senador citou Gim Argello (PTB-DF), então vice-presidente da comissão, como integrante do núcleo responsável pelo achaque.

Delcídio contou que reuniões semanais eram feitas entre os congressistas e os executivos para discutir requerimentos ‘sensíveis’ da CPI e a estratégia para derrubá-los. Os encontros ocorreriam nas noites de segunda-feira, alguns na casa de Gim. O petebista seria o coordenador do grupo que exigia dinheiro a empreiteiros.

Otávio Marques Azevedo afirmou em sua delação premiada que o ex-senador Vital do Rêgo , do PMDB da Paraíba – atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) -, com o ex-senador Gim Argello pediram R$ 30 milhões como ‘contribuição especial’ a um ‘grupo de políticos’, em junho de 2014. Após encontros na residência do empreiteiro – e também no gabinete do peemedebista, no Senado -, o pedido de propina, a ser pago em forma de doações eleitorais, seria para que livra-lo de convocação para depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Petrobrás, que tinha Rêgo como presidente e Argello como vice.

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