Lava Jato põe em leilão 37 apartamentos da doleira Nelma Kodama

Lava Jato põe em leilão 37 apartamentos da doleira Nelma Kodama

Por decisão da 12.ª Vara Federal de Curitiba, os imóveis no Hotel Villa Lobos, em São Paulo, vão ser submetidos a uma segunda hasta no próximo dia 10 ao preço unitário inicial de R$ 152 mil, informa o leiloeiro Jorge Nogari

Redação

05 Dezembro 2018 | 16h02

Foto: Nogari Leilões

Por decisão da 12.ª Vara Federal de Curitiba, 37 apartamentos que pertenciam à doleira Nelma Kodama, condenada pela Operação Lava Jato, vão a leilão no dia 10, às 14h. Cada unidade possui área privativa de 16m² e estão entre o 2.º e o 9.º andares do Hotel Villa Lobos, localizado na Avenida Jaguaré, zona oeste de São Paulo. Juntos, os imóveis têm valor inicial de R$ 5,6 milhões.

Em março de 2014, Nelma foi presa no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, quando tentava embarcar para Milão, na Itália, com € 200 mil escondidos sob a roupa. Quase todo o dinheiro estava dentro da calcinha de Nelma.

Nelma Kodama. Foto: Reprodução/Justiça Federal

No ano seguinte, a doleira cantou trecho de uma música de Roberto Carlos para explicar aos deputados da CPI da Petrobrás como era sua relação com o doleiro Alberto Youssef. Nelma cantarolou ‘Amada Amante’, sucesso do Rei da Jovem Guarda em 1971.

Na primeira rodada de leilões, que aconteceu no dia 3, o valor inicial de cada apartamento era de R$ 190 mil. Das 38 unidades em leilão, uma foi vendida, para um comprador de Brasília. Para a segunda rodada, o valor inicial é de R$ 152 mil para cada um dos 37 imóveis restantes.

O leiloeiro Jorge Nogari, da Nogari Leilões, diz que a procura é maior na segunda praça. “É comum o pessoal procurar a segunda rodada de vendas para tentar preços mais baixos. Mas há o risco de haver muita disputa e o lance final sair maior do que o inicial, da primeira rodada”, ele explica.

Nogari destaca que ‘historicamente, os leilões da Lava Jato atraem o público por terem bens de luxo com valores atrativos’.

A Nogari Leilões é a empresa responsável por esse leilão e já vendeu carros de luxo da própria Nelma e do doleiro Alberto Youssef, delator da Lava Jato.

Além dos preços abaixo do mercado, Nogari aponta outras vantagens na aquisição dos apartamentos, como o fato de as unidades serem administradas por sistema de hotelaria, ‘o que confere rendimentos mensais e manutenção constantes’.

O leiloeiro lembra que o imóvel tem ‘uma localização privilegiada’, por estar próximo à USP, Ceagesp, parque e shopping Villa Lobos.

Foto: Nogari Leilões

Foto: Nogari Leilões

Foto: Nogari Leilões

Foto: Nogari Leilões

 

COM A PALAVRA, O ADVOGADO RAFAEL MENTONI PACHECO, DEFENSOR DE NELMA

O criminalista Rafael Mentoni Pacheco, que defende Nelma Kodama, informou que entrou com pedido liminar ao ministro Edson Fachin, do Supremo, para barrar o leilão.

“O leilão, de fato, ocorrerá por força de uma decisão da 12.ª Vara Federal de Curitiba, onde corre a execução penal da Nelma. Trata-se da segunda praça do leilão, sendo que a primeira ocorreu no último dia 3. Toda via, no início da semana passada, a defesa entrou com um pedido liminar apresentado ao Min. Fachin, para que o leilão não ocorresse.”

“O pedido foi negado e estamos com prazo para recorrer da decisão. A defesa entende que há um vício formal na colaboração feita por Nelma Kodama com o Ministério Público Federal.”

“Nelma Kodama, uma das primeiras colaboradoras da Operação Lava Jato, realizou, inicialmente, um termo de colaboração premiada com a Polícia Federal, oportunidade em que os apartamentos do Hotel ficariam com ela, assim como outros delatores tiveram seus bens protegidos.”

“Na oportunidade, a colaboração feita com a Polícia Federal não foi homologada pois o Ministério Público Federal criou um impasse, alegando que o ato seria inconstitucional, ao argumento de que apenas a própria instituição (Ministério Público) poderia realizar acordos de colaboração premiada.”

“Ocorre que, posteriormente, o Supremo Tribunal Federal entendeu que os acordos poderiam ser realizado não só com o Ministério Público, mas também com a Policia Federal.”

“Diante desse novo contexto, e apoiados na previsão legal de que lei posterior mais benéfica ao acusado deve retroagir, a defesa apresentará novo recurso requerendo que, no tocante única e exclusivamente aos bens de Nelma, sejam considerados os termos da delação feita com a Polícia Federal, que garantia à mesma a propriedade dos imóveis.”

“Entendemos que é importante essa decisão do ministro Fachin e, agora da Segunda Turma do Supremo, até mesmo para dar segurança jurídica não apenas à colaboradora, mas também aos possíveis interessados na aquisição dos bens.”

Rafael Leite Mentoni Pacheco

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