Lava Jato pega armas de Temer

Lava Jato pega armas de Temer

PF apreendeu na casa do ex-presidente três revólveres e uma espingarda

Julia Affonso

28 de março de 2019 | 06h45

Armas de Temer; Foto: Reprodução

A Operação Descontaminação, desdobramento da Lava Jato, apreendeu quatro armas de fogo na casa do ex-presidente Michel Temer (MDB). A Polícia Federal identificou três revólveres – um Colt, um prateado e um calibre 22 –, e uma espingarda, além de munições intactas, sete de calibre 38 e 20 de calibre 22.

Temer foi preso no dia 21 quando saía de casa em São Paulo. O ex-presidente passou quatro dias recolhido na Superintendência da Polícia Federal do Rio em uma sala de 46m². Na segunda, 25, o desembargador Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal da 2.ª Região (TRF-2) mandou soltar o emedebista e outros sete alvos da Descontaminação.

Na casa de Temer, a PF pegou pendrives, agendas, papeis manuscritos, fita cassete e celulares. Apreendeu ainda um ‘iPad de patrimônio da vice-presidência da República’ no escritório.

A Descontaminação investiga os crimes de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.

A Procuradoria da República apura pagamentos ilícitos que teriam sido feitos por determinação do empresário e delator José Antunes Sobrinho – ligado à empreiteira Engevix – para um esquema cuja liderança é atribuída a Michel Temer e também mira desvios de recursos da Eletronuclear para empresas indicadas por aliados do ex-presidente.

O Ministério Público Federal afirma que identificou um ‘sofisticado esquema’ de propina na contratação das empresas Argeplan, AF Consult Ltd e Engevix para a execução do contrato de projeto de engenharia eletromecânico 01 de Angra 3.

De acordo com a investigação, a Eletronuclear contratou a empresa AF Consult Ltd, que se associou às empresas AF Consult do Brasil e Engevix.

Participam da AF Consult do Brasil, segundo a Lava Jato, a finlandesa AF Consult Ltd e a Argeplan.

Os investigadores relatam que a AF Consult do Brasil e a Argeplan não tinham pessoal e expertise suficientes para a realização dos serviços e, por isso, houve a subcontratação da Engevix.

Durante o contrato, narra a operação, o coronel Lima solicitou ao sócio da empresa Engevix o pagamento de propina supostamente em benefício de Temer.

Os procuradores afirmam que houve pagamento de propina no final de 2014 com transferências totalizando R$ 1,091 milhão da empresa Alumi Publicidades para a PDA Projeto e Direção Arquitetônica, controlada pelo coronel Lima.

As investigações apontam que os pagamentos à AF Consult do Brasil envolveram o desvio de R$ 10,859 milhões, ‘tendo em vista que a referida empresa não possuía capacidade técnica, nem pessoal para a prestação dos serviços para os quais foi contratada’.

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