Lava Jato pede perícia em dados do departamento de propinas da Odebrecht

Lava Jato pede perícia em dados do departamento de propinas da Odebrecht

De acordo com os procuradores, os documentos, oriundos de cooperação internacional com a Suíça, têm relação direta com processo em que ex-presidente Lula é réu por supostas propinas de R$ 12,5 milhões da construtora

Luiz Vassallo

09 de dezembro de 2017 | 10h21

Lula. Foto: Nilton Fukuda/Estadão

O Ministério Público Federal pediu ao juiz federal Sérgio Moro para que dois HDs e um pen drive com dados do sistema do departamento de propinas da Odebrecht sejam periciados. De acordo com os procuradores, os documentos, oriundos de cooperação internacional com a Suíça, têm relação direta com processo em que ex-presidente Lula é réu por supostas propinas de R$ 12,5 milhões da construtora.

Documento

Nesta ação penal, o ex-presidente responde por corrupção passiva e lavagem de dinheiro acusado de aceitar para si um imóvel em São Paulo, aonde seria sediado o Instituto Lula, no valor de R$ 12 milhões, e o apartamento vizinho à sua residência, no edifício Hill House, em São Bernardo do Campo. A empreiteira DAG e o primo do pecuarista José Carlos Bumlai, Glaucos da Costamarques, são apontados como laranjas da negociação.

No sistema Drousys, do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, chegou a ser identificada a saída de R$ 3,1 milhões daquele departamento, responsável pelas propinas da empreiteira, ao ‘Prédio IL’, segundo relatório da PF. Os valores constavam na ‘planilha Italiano’, que corresponde a uma suposta conta corrente cujo controle dos créditos é atribuído pelos investigadores ao ex-ministro Antonio Palocci.

Em setembro, sobre outros documentos, Moro determinou que a Polícia Federal fizesse perícia nos arquivos para extrair “documentos ou lançamentos que possam estar relacionados com o objeto da ação penal”.

O juiz estipulou três “objetivos” para os peritos: “seja feita descrição geral do que se tratam os dois sistemas e de seu funcionamento”, que se verifique sua “autenticidade” e que tenham os “documentos e lançamentos” relacionados ao imóvel da Rua Haberbeck Brandão, 178, em São Paulo.

Agora, a Procuradoria da República no Paraná pede nova análise em outros dois HDs e um pen drive argumentando que ‘o material em questão guarda relação direta’ com o material já periciado a respeito do prédio do Instituto Lula.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO CRISTIANO ZANIN MARTINS, QUE DEFENDE LULA

O Ministério Público Federal pediu a inclusão na perícia do MYwebday e DROUSYS de novo material da Suíça que a defesa do ex-presidente Lula não tem acesso. Além disso, o acordo de cooperação firmado com a Suíça não autoriza o uso em ação penal diversa daquela expressamente indicada no pacto.
É necessário destacar que esse material não estava na ação e não foi submetido ao crivo do contraditório e da ampla defesa – não sendo possível incluí-lo após o término da coleta da prova oral, realização dos interrogatórios e apresentação de requerimentos de diligências complementares. Além disso, não é possível submeter à perícia material completamente desconhecido da defesa, com ampliação da prova secreta, de que se faz uso neste processo com intolerável frequência