Lava jato pede alienação de imóveis ligados a Dirceu

Na prática, o ex-chefe da Casa Civil no governo Lula, condenado na Lava Jato a 20 anos e 10 meses de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa, agora pode perder a posse de ao menos dois imóveis na capital paulista

Mateus Coutinho e Julia Affonso

14 de junho de 2016 | 15h32

O ex-ministro José Dirceu durante interrogatório do juiz Sérgio Moro

O ex-ministro José Dirceu durante interrogatório do juiz Sérgio Moro

A força-tarefa da Lava Jato vai pedir ao juiz Sérgio Moro a alienação de dois imóveis ligados ao ex-ministro José Dirceu e aos seus familiares e que já foram bloqueados pelo juiz Sérgio Moro no decorrer da Lava Jato. Na prática, o ex-chefe da Casa Civil no governo Lula, condenado na Lava Jato a 20 anos e 10 meses de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa, agora pode perder a posse de ao menos dois imóveis na capital paulista que teriam sido utilizados para a lavagem de dinheiro no esquema de corrupção da Petrobrás.

Com a alienação, os bens passam a ficar sob responsabilidade da Justiça e podem ser utilizados para quitar a indenização de R$ 46,4 milhões que Dirceu e os outros oito condenados na mesma ação penal que ele devem pagar. O valor corresponde às propinas recebidas pagas pela Engevix a ex-funcionários da diretoria de Serviços da estatal e agentes públicos. Atualmente os executivos da empreiteira negociam um acordo de delação premiada.

[veja_tambem]

Dentre os imóveis que os procuradores querem alienar está um imóvel na Assungui, nº 971, Saúde, São Paulo/SP que está em nome da filha de Dirceu, Camila Ramos de Oliveira e Silva. Além disso, há também um apartamento na Rua Estado de Israel que estava em nome do irmão do petista, Luiz Eduardo Oliveira e Silva, também condenado na Lava Jato, mas foi transferido para duas empresas.

“Diante da dificuldade de manutenção e administração dos bens, o Minsitério Público requererá a alienação antecipada”, afirma a petição encaminhada pelo procurador da República Januário Paludo, da força-tarefa da Lava Jato. Para os investigadores, os dois imóveis foram adquiridos pelos familiares do ex-ministro com dinheiro de propina do esquema da Petrobrás.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Dirceu para comentar o caso.

Tudo o que sabemos sobre:

José Dirceuoperação Lava Jato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: