Lava Jato pede a Portugal que localize suposto pagador de Eduardo Cunha

Lava Jato pede a Portugal que localize suposto pagador de Eduardo Cunha

Procuradoria quer que empresário Idalécio Oliveira, que teria repassado US$ 10 milhões a ex-funcionários da Petrobrás e ao presidente afastado da Câmara, constitua advogado para se defender da acusação de corrupção e lavagem de dinheiro na venda de campo de petróleo em 2011

Mateus Coutinho e Julia Affonso

13 de junho de 2016 | 16h15

Eduardo Cunha. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Eduardo Cunha. Foto: Dida Sampaio/Estadão

A força-tarefa da Lava Jato pediu apoio às autoridades portuguesas para localizar o empresário Idalécio Oliveira, acusado de pagar US$ 10 milhões em propinas para ex-funcionários da Petrobrás e para o presidente afastado da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em uma compra de um campo de exploração de petróleo pela Petrobrás na África, em 2011.

Documento

No pedido, encaminhado no dia 9 para a Secretaria de Cooperação Jurídica Internacional da Procuradoria-Geral da República, os procuradores da Lava Jato pedem que o executivo seja notificado pelas autoridades portuguesas da denúncia e, no prazo de 10 dias, constitua um advogado para responder às acusações perante o juiz Sérgio Moro, em Curitiba. Ele responde aos crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro

Idalécio é português e residiria em Lisboa.

[veja_tambem]

Ele foi denunciado junto com a mulher de Cunha e outros dois acusados de envolvimento no polêmico episódio que rendeu propinas milionárias aos ex-funcionários da Diretoria Internacional da Petrobrás, cota do PMDB no esquema de corrupção, e a Cunha e sua família. O empresário é o dono da holding que controlava o campo de petróleo em Benin que foi vendido para a Petrobrás e foi da sua empresa que saiu o pagamento milionário para a empresa do lobista João Augusto Rezende Henriques, apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção na Petrobrás.

Graças ao apoio de investigadores suíços, o caminho do dinheiro que abasteceu Cunha até ser gasto em produtos de luxo e viagens no cartão de crédito usado por sua mulher Cláudia Cruz foi desvendado. Agora, a mulher do parlamentar responde na Justiça Federal pelo crime de lavagem de US$ 1 milhão, valor que ela consumiu no exterior.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA PIERPAOLO BOTTINI:

Claudia Cruz responderá às imputações como fez até o momento, colaborando com a Justiça e entregando os documentos necessários à apuração dos fatos. Destaca que não tem qualquer relação com atos de corrupção ou de lavagem de dinheiro, não conhece os demais denunciados e jamais participou ou presenciou negociações ilícitas.

A NOTA DIVULGADA POR EDUARDO CUNHA NO TWITTER:

“Trata-se de procedimento desmembrado do inquérito 4146 do STF, em que foi apresentada a denúncia, pelo Procurador Geral da República, ainda não apreciada pelo Supremo.

Foi oferecida a denúncia do Juízo de 1º Grau, em que o rito é diferenciado, com recebimento preliminar de denúncia, abertura de prazo para defesa em dez dias e posterior decisão sobre a manutenção ou não do seu recebimento.

O desmembramento da denúncia foi alvo de recursos e Reclamação ainda não julgados pelo STF que, se providos, farão retornar esse processo do STF.

Independente do aguardo do julgamento do STF, será oferecida a defesa após a notificação, com certeza de que os argumentos da defesa serão acolhidos.

Minha esposa possuía conta no exterior dentro das normas da legislação brasileira, declaradas às autoridades competentes no momento obrigatório, e a origem dos recursos nela depositados em nada tem a ver com quaisquer recursos ilícitos ou recebimento de vantagem indevida.

Eduardo Cunha”

Tudo o que sabemos sobre:

Eduardo Cunhaoperação Lava Jato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: