Lava Jato pede à PF que revele qual empresa do Grupo OAS é seu alvo em SP

Lava Jato pede à PF que revele qual empresa do Grupo OAS é seu alvo em SP

Procuradores da força-tarefa de Curitiba querem a informação de delegado federal em São Paulo que investiga suposto superfaturamento de R$ 170 milhões nos custos de terraplanagem das obras do trecho norte do Rodoanel por parte da Dersa

Mateus Coutinho, Julia Affonso e Fausto Macedo

26 de julho de 2016 | 16h54

rodoanelnorte

Trecho do Rodoanel Norte. Foto: Divulgação

A força-tarefa da Lava Jato pediu à Polícia Federal em São Paulo que detalhe sobre qual empresa do Grupo OAS quer obter os dados das quebras de sigilo bancário e fiscal realizadas no âmbito da operação no Paraná para serem utilizados também na investigação em São Paulo que apura as suspeitas de superfaturamento de R$ 170 milhões nos custos de terraplenagem das obras do trecho norte do Rodoanel por parte da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa).

O pedido é uma resposta à solicitação de compartilhamento de provas feito pelo delegado Milton Fornazari Júnior da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros (Delefin) de São Paulo para a investigação sobre a obra que acumula atrasos em São Paulo. Na ocasião, o delegado pediu os dados das quebras de sigilo das empresas do Grupo OAS, sem especificar qual

Os procuradores da força-tarefa em Curitiba apontaram que apenas a OAS Empreendimentos S.A, do mesmo grupo empresarial, mas que atua na área imobiliária, teve o sigilo bancário quebrado pela Lava Jato. Diante disso, o juiz Sérgio Moro, responsável por autorizar os compartilhamentos, acatou a manifestação dos procuradores de Curitiba e encaminhou, na quarta-feira, 19, ao delegado Milton a solicitação dos procuradores de Curitiba.

A investigação da PF em São Paulo foi aberta neste ano e já é a quinta envolvendo a polêmica obra do governo paulista que acumula atrasos. Neste inquérito, feito a partir da denúncia de um ex-funcionário da Dersa, os investigadores paulistas apuram as suspeitas de que a estatal teria assinado vários aditivos que encareceram as obras de terraplenagem dos seis lotes do trecho norte para beneficiar as empresas dos consórcio que toca o empreendimento.

A OAS foi responsável pelo lote que teve o maior acréscimo de preço, 385,6% em relação ao valor original do contrato firmado em 2013. Neste lote, os valores subiram, principalmente, por causa do aumento do serviço de transporte de material por mais de 15 quilômetros (R$ 12,3 milhões) e da inclusão do serviço de remoção de rocha (matacão) em escavação (R$ 22,3 milhões).

A empreiteira já teve seus executivos condenados por corrupção e lavagem de dinheiro por envolvimento no esquema de corrupção na Petrobrás e atualmente o ex-presidente do grupo, Leo Pinheiro, negocia um acordo de delação premiada.

Pelos contratos assinados em 2013, no valor total de R$ 3,9 bilhões, o custo previsto com terraplenagem em toda a obra era de R$ 423,7 milhões. Planilhas de pagamentos da Dersa obtidas pelo Estado mostram que, até janeiro deste ano, o valor atualizado para esse serviço era de R$ 845,4 milhões, um aumento de 99,6%.

COM A PALAVRA, A DERSA:

“O Juiz Sérgio Moro não tomou qualquer iniciativa para apurar o referido inquérito aberto pelo delegado Milton Fornazari Junior. Portanto, é um erro, na hipótese mais inocente, a simples sugestão de que a Lava Jato investiga as obras do Rodoanel. Na verdade, o juiz Moro apenas responde ao delegado, que pedira compartilhamento de dados. Aliás, em sua decisão preliminar, o juiz Moro, apenas em resposta, frise-se, nega o compartilhamento de dados. O argumento do magistrado é o de que a empresa do grupo OAS que teve seu sigilo quebrado no âmbito da Operação Lava Jato não é a mesma que participa da construção do Rodoanel.

A DERSA já havia se antecipado e tomado as providências cabíveis no sentido de apurar denúncias recebidas de um ex-funcionário de empresa prestadora de serviços. Antes mesmo da abertura do inquérito policial – ao qual, registre-se, nunca obteve acesso.

Essas denúncias foram apuradas por auditoria instalada pela própria DERSA. Em seguida, mesmo considerando-as desprovidas de fundamentos razoáveis, a DERSA as encaminhou à Corregedoria Geral da Administração.

A DERSA já enviou ao Tribunal de Contas todos os esclarecimentos necessários. Da mesma maneira, tem colaborado com o Ministério Público Federal e informado o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), financiador da obra, de todos os procedimentos tomados.

A DERSA só não estabeleceu o mesmo relacionamento colaborativo com a PF porque tem sido impedida de acessar os autos do inquérito.”

COM A PALAVRA, A OAS:

A empreiteira informou, por meio de sua assessoria, que não vai se manifestar.

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