Lava Jato não destruiu empresas, e sim gera confiança, rebate Marco Aurélio

Lava Jato não destruiu empresas, e sim gera confiança, rebate Marco Aurélio

Ministro afirma que investigação do esquema bilionário de corrupção envolvendo a Petrobrás representa um avanço para o País

Rafael Moraes Moura/BRASÍLIA

17 de dezembro de 2019 | 15h42

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), rebateu nesta terça-feira (17) as críticas feitas pelo presidente do STF, ministro Dias Toffoli, à Operação Lava Jato e ao Ministério Público. Para Marco Aurélio, a investigação de um esquema bilionário de corrupção envolvendo a Petrobrás não destruiu empresas, e sim gera “confiança” e representa um avanço para o País.

“Nós estamos avançando culturalmente – e está desaparecendo do cenário nacional o sentimento de impunidade. Isso em termos de administração pública, em termos de atuação na vida em sociedade, é muito importante”, disse Marco Aurélio ao Estado/Broadcast, antes de participar da sessão da Primeira Turma do STF nesta tarde.

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal. Foto: Dida Sampaio / Estadão

Em entrevista ao Estado publicada na última segunda-feira, 16, Toffoli disse que o Ministério Público “deveria ser uma instituição mais transparente” e que “a Lava Jato destruiu empresas – o que jamais aconteceria nos Estados Unidos, por exemplo”.

“De forma alguma (destrói empresas), ao contrário. Fortalece. E gera confiança. Gera segurança”, rebateu Marco Aurélio. “Não deixa de ser um marco civilizatório. O ruim é quando se varre (as suspeitas) para debaixo do tapete, aí é péssimo.”

Indagado sobre a declaração de Toffoli, o ministro disse que tem uma “outra visão”.

“A democracia é interessante por isso: as ideias são diversificadas. Cada qual com a sua concepção de vida. Eu acredito que o Ministério Público seja transparente, e merece os nossos elogios, como também merece a Polícia Federal, a Polícia Civil”, afirmou Marco Aurélio. “Eu costumo julgar as pessoas por mim, pela minha concepção, e por isso que não vejo (corporativismo no MP)”, acrescentou.

Conselho. O procurador-geral da República, Augusto Aras, se manifestou na última segunda-feira sobre a declaração de Toffoli segundo a qual o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) não colocava ninguém “para fora até pouco tempo”. Aras informou ao Estado que, desde a criação do conselho, houve 268 sanções a procuradores, 39 somente em 2019, segundo relatório da corregedoria.

Para o coordenador da força-tarefa da operação em Curitiba, procurador Deltan Dallagnol, a fala de Toffoli é “uma irresponsabilidade”. “Dizer que a Lava Jato quebrou empresas é uma irresponsabilidade. É fechar os olhos para a crise econômica relacionada a fatores que incluem incompetência, má gestão e corrupção”, disse Dallagnol.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: