Lava Jato mira Paulinho da Força por caixa 2 de R$ 1,7 mi e lavagem de dinheiro

Lava Jato mira Paulinho da Força por caixa 2 de R$ 1,7 mi e lavagem de dinheiro

Polícia Federal e Promotoria Eleitoral deflagram operação a partir de São Paulo e fazem buscas no gabinete do deputado e na sede da Força Sindical

Pepita Ortega, Fausto Macedo e Nicholas Shores

14 de julho de 2020 | 07h34

Atualizada às 10h44 com nota do deputado*

Paulinho da Força. Foto: Nilton Fukuda/Estadão

A Polícia Federal e o Ministério Público Eleitoral deflagraram na manhã desta terça, 14, a operação Dark Side, que tem como alvo o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade). Agentes fazem buscas no gabinete do parlamentar, em seu apartamento funcional e ainda na sede da Força Sindical em São Paulo. A ofensiva mira suposto caixa 2 de R$ 1,7 milhão e lavagem de dinheiro.

Trata-se da primeira fase da operação Lava Jato junto à Justiça Eleitoral de São Paulo desde o entendimento do Supremo Tribunal Federal que reafirmou sua competência para analisa crimes conexos aos eleitorais.

Ao todo, os agentes cumprem sete mandados de busca e apreensão em São Paulo e em Brasília. As ordens foram expedidas pela 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, que determinou ainda o bloqueio judicial de contas bancárias e imóveis dos investigados.

Ouça a Lava Jato no encalço de Paulinho da Força:

 

Operação Dark Side cumpriu mandado de busca no gabinete do deputado Paulinho da Força. Foto: Gabriela Biló/Estadão

Segundo a PF, o inquérito foi remetido à Justiça Eleitoral de São Paulo em 2019, com a colaboração premiada de executivo da J&F.

“Por meio da quebra dos sigilos bancários, intercâmbio de informações com o COAF, testemunhos de pessoas relacionadas aos fatos, dentre outras medidas investigativas, foi constatada a existência de fundados indícios do recebimento por parlamentar federal de doações eleitorais não contabilizadas, de maneira dissimulada, durante as campanhas eleitorais dos anos de 2010 e 2012, no valor total de R$1.700.000,00”, afirmou a corporação em nota.

Os pagamentos teriam ocorrido por meio da ‘simulação da prestação de serviços advocatícios e também mediante o pagamento de valores em espécie, contando para isso com doleiros’, indicou a PF.

A corporação apontou ainda que o escritório de advocacia supostamente envolvido na simulação da prestação de serviços tinha como um dos seus sócios o genro do parlamentar.

Com a quebra do sigilo bancário do escritório, os investigadores identificaram a transferência de valores próximos à eleição de 2012, supostamente oriundas da Força Sindical e não declarada na campanha do deputado.

Prédio da Força Sindical foi alvo de busca na manhã desta terça, 14. Foto: Felipe Rau/Estadão

“Além disso, foi constatada a existência de diversas operações financeiras, relativamente atuais, que se enquadram em tipologias da lavagem de dinheiro, em especial o fracionamento de operações financeiras. Essas movimentações, não relacionadas ao parlamentar, indicam a possibilidade da prática de outros atos de lavagem de dinheiro autônomos e conexos, o que será objeto de aprofundamento na fase ostensiva das investigações”, afirmou a PF em nota.

A corporação informou que os investigados podem responder, na medida de suas participações, pelos crimes de falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro, com penas de 3 a 10 anos de prisão.

Em nota, a PF reforçou que as investigações relacionadas ao deputado estão relacionadas a fatos apurados nos anos de 2010 e 2012, antes do início do mandato de Paulinho da Força, por isso correm em primeira instância.

Operação Dark Side cumpriu mandado de busca no gabinete do deputado Paulinho da Força. Foto: Gabriela Biló/Estadão

COM A PALAVRA, O DEPUTADO

“O deputado Paulo Pereira da Silva foi alvo de mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Eleitoral de São Paulo.

O parlamentar desconhece os fatos apurados e está tomando ciência da apuração pela imprensa na medida em que sequer lhe foi fornecida cópia da decisão que autorizou as buscas.

Em nota, Paulinho da Força afirmou que desconhece os fatos apurados e que não teve acesso à decisão que autorizou as buscas. O parlamentar disse ainda que suas contas das eleições de 2010 e 2012 foram aprovadas regularmente pela Justiça Eleitoral

Caso os mandados digam de fato respeito a alegado caixa dois dos anos de 2010 e 2012, a partir da delação da JBS, conforme notícias veiculadas, o deputado lamenta o ocorrido na data de hoje tendo em vista que já são passados 10 anos desde os fatos apontados, sendo que suas contas das eleições de 2010 e 2012 foram aprovadas regularmente pela Justiça Eleitoral.

Por fim, o parlamentar confia que a apuração chegará à conclusão de que os fatos trazidos não possuem nenhum fundamento”.

COM A PALAVRA, A FORÇA SINDICAL

A reportagem entrou em contato com a Força Sindical. O espaço está aberto para manifestações.

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