Lava Jato mira empresa de táxi aéreo suspeita de simular notas fiscais para ocultar propina a Eduardo Braga

Lava Jato mira empresa de táxi aéreo suspeita de simular notas fiscais para ocultar propina a Eduardo Braga

Sede da Rico Táxi Aéreo, em Manaus, e endereços de sócios foram alvos de busca da Polícia Federal nesta terça, 5; senador foi intimado a prestar depoimento

Paulo Roberto Netto

05 de novembro de 2019 | 18h31

A sede da Rico Táxi Aéreo e dois endereços ligados aos empresários Átila e Metin Yurtsever foram alvos de busca e apreensão da Polícia Federal nesta terça-feira, 5, em inquérito que apura pagamento de propina e parlamentares do MDB em troca de apoio à campanha de Dilma Rousseff (PT) em 2014.

A empresa e seus sócios são investigados por simular notas fiscais para ocultar propinas de R$ 6 milhões pagas pela JBS ao senador Eduardo Braga, líder do MDB no Senado.

O senador Eduardo Braga. Foto: Adriano Machado / Reuters

De acordo com as investigações, a Rico Táxi Aéreo e a JBS simularam o pagamento de propina por meio de notas fiscais fraudulentas nos valores de R$ 3,8 milhões e R$ 2,2 milhões. O contrato de fachada previa a prestação de serviço de fretamento de aeronave do modelo Cessna Citation XLS entre o período de 1º de abril a 30 de novembro de 2014.

A realização de contribuições a Braga foi relatada na delação de Ricardo Saud, da JBS, e constam no “Planilhão de doações de 2014” apresentadas por Joesley Batista. Segundo os empresários, o primeiro pagamento de R$ 3,8 milhões foi simulado em nota fiscal emitida em 21 de agosto e a segunda parcela, de R$ 2,2 milhões, em nota fiscal de 03 de setembro de 2014.

“Diante dos elementos apresentados, se verifica a presença de indicativos de que o Senador CARLOS EDUARDO DE SOUSA BRAGA recebeu valores indevidos no montante de R$ 6.080.000,00 (seis milhões e oitenta mil reais), por parte do Grupo J & F, dentro do crédito do PT direcionado a Senadores do PMDB, no valor total de R$ 35.000.000,00 (trinta e cinco milhões de reais)”, afirmam os investigadores, em pedido de busca e apreensão encaminhados ao Supremo.

Documento

Além da sede da Rico Táxi Aéreo, a Polícia Federal vasculhou três endereços residenciais ligados aos empresários Átila e Metin Yurtsever, sócios da empresa. O senador Eduardo Braga, por sua vez, foi intimado a prestar depoimento sobre a investigação.

A ação é um desdobramento do inquérito 4707, que apura supostas doações de R$ 40 milhões feitas pelo grupo Grupo J&F a senadores do MDB para as eleições de 2014. A informação partiu do depoimento de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, e também consta na colaboração de Ricardo Saud, que serviu como base para a instauração do inquérito.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE EDUARDO BRAGA

“O senador Eduardo Braga recebeu esta manhã uma solicitação do Delegado Bernardo Amaral para prestar esclarecimentos no inquérito 4707 (STF). Já estabeleceu contato para ajustar a data. O senador sempre se colocou à disposição para colaborar com qualquer investigação. A cobertura midiática de hoje, talvez por sensacionalismo, talvez por desinformação, menciona fato que simplesmente não existiu, na medida em que nenhuma medida de busca e apreensão foi realizada na residência ou em qualquer outro endereço do senador Eduardo Braga.”

COM A PALAVRA, A RICO TÁXI AÉREO
A reportagem busca contato com a Rico Táxi Aéreo e representantes de Átila e Metin Yurtsever. O espaço está aberto a manifestações (paulo.netto@estadao.com).

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