Lava Jato mira ‘conta ônibus de Bruxelas’, citada por Paulo Vieira em diário

Lava Jato mira ‘conta ônibus de Bruxelas’, citada por Paulo Vieira em diário

Investigadores querem saber de ex-diretor da Dersa sobre menção a suposta conta no exterior, além de citações ao doleiro Rodrigo Tacla Duran

Luiz Vassallo, Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo

28 de fevereiro de 2019 | 05h32

Reprodução de anotação de Paulo Vieira

A força-tarefa da Operação Lava Jato quer ouvir Paulo Vieira de Souza, apontado como suposto operador do PSDB, sobre uma menção que fez em seu diário de cárcere, na primeira vez que foi preso, a uma suposta ‘conta ônibus’ em Bruxelas. O termo é utilizado para denominar contas de passagem usadas em esquemas de lavagem de dinheiro.

Documento

As anotações do ex-diretor da Dersa foram apreendidas na fase 60 da Lava Jato, que o levou pela terceira vez para a prisão. Vieira de Souza é apontado como suposto operador do PSDB e da Odebrecht. De acordo com documentos obtidos junto a autoridades suíças, ele teria movimentado R$ 130 milhões no país europeu.

Os registros foram feitos no período entre abril e maio de 2018, quando ele estava encarcerado em Tremembé, no interior de São Paulo, no âmbito de investigação sobre supostos desvios de R$ 7,7 milhões de reassentamentos nas obras do Rodoanel Trecho Sul.

Entre as observações, ele comenta pedidos de seus parentes para que faça delação premiada, além dos recursos de sua defesa para que fosse solto. Ainda em 2018, ele, de fato, foi solto por ordem de Gilmar Mendes, foi preso de novo, e, novamente liberado pelo ministro do Supremo.

“Às 12h30 chegaram o Adv Santoro e Adv Emílio trazendo todas as notícias da Suíça, com relação à perícia em swift do banco com falsidade a prisão do Gaetan (Presidente do Bordie), temos uma carta de 02/2010?, a averiguação da conta ônibus de Bruxelas desaparecida, depósito do Greenfield e G Vetel, como balanço do Nantes e seu proprietário real Gordon ou Norman”, afirmou, em um trecho de seu diário.

Para procuradores da Operação Lava Jato, ‘chama a atenção a menção à “conta ônibus”, terminologia usada frequentemente para contas bancárias que servem somente à passagem dissimulada de recursos, para lavagem de dinheiro’.

A força-tarefa também cita a ‘menção à “G Vetel”, offshore controlada por Rodrigo Tacla Duran, operador envolvido na lavagem de capitais que o ex-Diretor da Dersa realizou em benefício do Grupo Odebrecht’.

Ainda ressaltam ‘a menção a “Norman”, Norman Barr, procurador das contas bancárias mantidas no exterior em nome de Paulo Vieira de Souza e Rodrigo Tacla Duran’.

Os procuradores ainda notaram que Paulo Vieira entabulou nomes de membros do Ministério Público Federal que o investigam. Eles pedem esclarecimentos.

“Ante o exposto, o Ministério Público Federal requer à D. autoridade policial que intime PAULO VIEIRA DE SOUZA, para que preste esclarecimentos sobre a menção à “conta ônibus de Bruxelas desaparecida”, o “depósito do Greenfield e G Vetel”, sua relação com Rodrigo Tacla Duran e Norman Barr, bem como para que explique as conversas cifradas acima colacionadas e as razões para entabular o histórico profissional dos Procuradores da República envolvidos nas apurações no âmbito do Ministério Público Federal em São Paulo”, afirmam.

COM A PALAVRA, ALOYSIO

No dia da deflagração da Ad Infinitum, terça, 19, o ex-ministro Aloysio Nunes Ferreira disse que ainda ‘não teve acesso às informações’ da investigação que faz parte da fase 60 da Lava Jato.

Segundo o tucano, o delegado da Polícia Federal que conduziu as buscas em sua residência nesta terça, 19, ‘foi muito cortês’, mas não revelou a ele os motivos da diligência. “O inquérito está em segredo, eu estou buscando saber o que há.”

Aloysio negou ter recebido cartão de crédito da conta do operador do PSDB Paulo Vieira de Souza, preso na Ad Infinitum.

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