Lava Jato investiga Luiz Estevão por R$ 65 mi em obras de arte ‘sem emissão de nota’

Lava Jato investiga Luiz Estevão por R$ 65 mi em obras de arte ‘sem emissão de nota’

Ex-senador que cumpre pena de 28 anos por fraudes nas obras do Fórum Trabalhista de São Paulo, tem seu nome associado a transações milionárias em planilha encontrada com dono de galeria de arte denunciado por lavar dinheiro para o senador Edison Lobão (MDB)

Luiz Vassallo e Fausto Macedo

30 de outubro de 2019 | 06h00

Luiz Estevão. Foto: UESLEI MARCELINO/AGIF

A Operação Lava Jato investiga o ex-senador Luiz Estevão por supostamente intermediar R$ 65 milhões em aquisições de obras de arte ‘sem emissão de nota fiscal’ em um período de 10 anos.

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O ex-parlamentar cumpre pena no Complexo Penitenciário Federal da Papuda, em Brasília. Em duas sentenças relativas a fraudes nas obras do Fórum Trabalhista de São Paulo e também por sonegação fiscal, ele foi condenado a 28 anos de reclusão.

A apuração que envolve Estevão é decorrente da Operação Galeria, 65ª fase da Lava Jato, que mirou supostos esquemas de lavagem de dinheiro do ex-senador Edison Lobão (MDB) e seu filho Márcio Lobão, decorrente de propinas em contratos da Transpetro. Eles foram denunciados nesta terça, 29.

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, o emedebista e o filho ocultaram as vantagens indevidas por meio da aquisição de obras de arte por meio da Almeida & Dale Galeria de Arte, cujo dono, Carlos Dale Júnior, é também alvo da denúncia.

Quando a PF vasculhou o estabelecimento, que fica em São Paulo, encontrou uma “Tabela de Vendas das Obras da A&D” no computador de Carlos Dale Júnior.

Segundo os investigadores, no documento ‘não apenas havia uma linha específica que sintetizava a transação da obra de arte “Amazonino Vermelho”, da série amazônicos, de autoria de Lygia Pape, adquirida por Márcio Lobão da Almeida e Dale, objeto da presente acusação, como também uma série de linhas relativas a transações de obras de arte vendidas por “Luiz Estevão”.

“Não apenas chama atenção o valor de tais transações, que totalizam R$ 65.273.000,00, como o período no qual elas ocorreram, entre 21/05/2008 e 13/10/2018,
como também o fato de que todas elas ocorreram “sem a emissão de nota” [nota fiscal] e, por fim, a indicação da participação nelas de “LUIZ ESTEVÃO” como adquirente das obras”, diz a Lava Jato.

Os procuradores ainda dizem que em ‘rápida pesquisa na internet foi possível localizar diversas menções que dão conta de possível relacionamento entre Almeida e Dale Galeria de Arte e seu sócio, ora denunciado, Carlos Dale, com o ex-Senador Luiz Estevão’.

“De fato, conforme constou na tabela apreendida na Busca e Apreensão da Almeida e Dale Galeria de Arte, é possível que pessoa identificada como “LUIZ
ESTEVÃO” tenha sido responsável por adquirir 7 telas de Volpi, entre 2010 e 2015, inclusive duas telas adquiridas por R$ 250 mil”, diz a força-tarefa.

Os procuradores de Curitiba pediram que o caso seja compartilhado com a força-tarefa da Operação Lava Jato em São Paulo.

COM A PALAVRA, A DEFESA DA GALERIA ALMEIDA & DALE

A galeria Almeida & Dale divulgou nota, por meio de seu defensor, o advogado Ralph Tórtima Stettinger Filho. Leia a nota:

“A Galeria Almeida & Dale esclarece que, na hipótese mencionada, apenas atuou na intermediação de compra e venda e, no menor tempo possível, estará fornecendo todos os esclarecimentos necessários de sorte a evidenciar a regularidade dessa operação”.

Ralph Tórtima Stettinger Filho, advogado.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO MARCELO BESSA, QUE DEFENDE LUIZ ESTEVÃO

“Desconheço o assunto . De qualquer forma, não vou comentar a questão”

 

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