Lava Jato investiga dono de jato que matou Eduardo Campos

Lava Jato investiga dono de jato que matou Eduardo Campos

PF vai ouvir João Carlos Lyra, que assumiu compra de aeronave que era usada por candidato à Presidência pelo PSB, como agiota apontado por Youssef em esquema de propina

Redação

26 de março de 2015 | 03h00

Por Ricardo Brandt, Beatriz Bulla, Julia Affonso e Fausto Macedo

A Procuradoria-Geral da República determinou, em um dos inquéritos da Operação Lava Jato, que a Polícia Federal investigue as relações políticas e a suposta prática de agiotagem por parte de João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho – um dos três empresários de Pernambuco que compraram o jato Cessna, que em agosto de 2014 caiu e matou o candidato à Presidência Eduardo Campos (PSB).

A PGR suspeita que João Carlos Lyra seja o dono da Câmara & Vasconcelos, uma das empresas que pagaram pela aeronave, vendida por R$ 1,7 milhão.

João Carlos Lyra, que passou a ser investigado pela Lava Jato / Reprodução

João Carlos Lyra, que passou a ser investigado pela Lava Jato / Reprodução

Desde o ano passado, a PF investigava se os três empresários de Pernambuco eram “laranjas” usados para ocultar a compra do jato – que foi testado por Campos, dias antes de sua aquisição.

O PSB e a família Campos negam irregularidades. No ano passado, Lyra divulgou nota afirmando que comprou o avião e locou para a campanha de Campos. Algumas empresas, entre elas a Câmara & Vasconcelos, teriam emprestado os valores da compra.

Descoberta. O nome da empresa já havia aparecido na Lava Jato no final do ano passado, como beneficiária da lavanderia do doleiro Alberto Youssef. Foi identificado depósito de R$ 100 mil em janeiro de 2011. O que não se sabia era que João Carlos Lyra seria o dono da Câmara & Vasconcelos.

As suspeitas surgiram após Youssef afirmar, em delação premiada, em fevereiro, que o depósito para a Câmara & Vasconcelos referia-se a pagamento de dívida de campanha do senador Benedito de Lira (PP-AL), de 2010.

“Seria (a Câmara & Vasconcelos) uma empresa de Pernambuco. Eu sei que era para um agiota que ele (senador) estava devendo dinheiro que ele havia pego para terminar a campanha. Ele me falou que esse agiota era de Recife”, contou Youssef.

Na petição em que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou abertura de inquérito contra o senador e seu filho, o deputado Arthur de Lira (PP-AL), foi pedida a oitiva de Lyra e o aprofundamento das investigações sobre a Câmara & Vasconcelos. A PGR quer que o empresário “esclareça as transferências mencionadas e a relação com os parlamentares” e se a empresa era utilizada por ele “para atividades de agiotagem”.

O senador nega recebimento de propina e irregularidades na campanha. João Carlos Lyra não foi encontrado.

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