Lava Jato fez planilhas de encontros entre Lula e Emílio Odebrecht

Lava Jato fez planilhas de encontros entre Lula e Emílio Odebrecht

Polícia Federal analisou material apreendido no Instituto Lula para confirmar relação entre ex-presidente, preso em Curitiba, e patriarca do grupo Odebrecht

Pepita Ortega, Luiz Vassalo, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

23 de agosto de 2019 | 16h41

Lula concede entrevista na PF em Curitiba, em abril de 2019. FOTO: RICARDO STUCKERT

Um relatório de análise da Polícia Federal, produzido na 64.ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta sexta-feira, 23, relaciona todos os registros de encontros e contatos entre Lula e o empresário Emílio Odebrecht e seu emissário Alexandrino Alencar.

“Cumpre destacar que o objetivo do presente relatório foi identificar anotações que indicassem possíveis encontros ocorridos entre Luiz Inácio Lula da Silva e Alexandrino de Salles Ramos de Alencar e também possíveis encontros ocorridos entre Lula e Emíli Alves Odebrecht”, informa o Relatório de Análise de Polícia Judiciária nº 24/2019, assinado pelo agente Paulo Eduardo Witt.

O material faz parte dos documentos que a Polícia Federal anexou ao pedido de buscas da 64ª fase da Operação Lava Jato, denominada Pentiti, deflagrada na manhã desta sexta, 23, a para apurar supostos crimes de corrupção envolvendo o Banco BTG Pactual e a Petrobrás na exploração do pré-sal e ‘em projeto de desinvestimento de ativos’ na África.

Entre os alvos da operação estão a ex-presidente da estatal, Graça Foster e o executivo do banco, André Esteves.

A operação apura crimes de corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de capitais relacionadas a recursos contabilizados na planilha ‘Programa Especial Italiano’ gerida pela Odebrecht. A PF visa os identificar beneficiários da lista e apurar como se davam as entregas de valores ilícitos a autoridades.

De acordo com a corporação, os supostos crimes podem ter causado prejuízo de ao menos US$ 1,5 bilhão, o que equivaleria a cerca de R$ 6 bilhões de reais hoje.

Emílio Odebrecht disse que tinha agenda livre com Lula, que está preso e condenado pela Lava Jato em Curitiba desde abril de 2018.

O empresário detalhou em sua delação premiada, homologada em 2017 pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sobre os acertos com Lula em negócios de interesse da empresa e repasses de valores para o PT, suas campanhas e terceiros.

No inquérito da Pentiti, a nova fase da Lava Jato, Emílio, seu filho Marcelo Odebrecht e outros delatores voltaram a ser ouvidos.

O delegado Filipe Hille Pace, tentou ouvir Lula, mas ele optou por ficar calado sobre os fatos por orientação da defesa.

No relatório, o agente que integra a equipe da Lava Jato montou duas planilhas para “melhor elucidação dos possíveis encontros ocorridos entre o ex-presidente Lula ou com Emílio Alves Odebrecht ou com Alexandino de Salles Ramos de Alencar”.

“Cada uma (das planilhas) referente a cada pessoa com a qual LULA pode ter tido encontro – com as prováveis datas dos encontros
acima destacados.”

COM A PALAVRA, O BTG PACTUAL
“Com relação à operação da Polícia Federal realizada nesta data, o BTG Pactual esclarece que está à disposição das autoridades para que tudo seja esclarecido o mais rápido possível, como sempre.

O BTG Pactual reforça que o Banco opera normalmente.

O Banco esclarece ainda, que o objeto da referida busca e apreensão foi alvo de uma investigação independente conduzida pelo escritório de advocacia internacional Quinn Emanuel Urquhart & Sullivan, LLP, especializado em investigações e auditorias, contratado em 2015 por um comitê independente formado justamente para fazer uma auditoria externa e imparcial sobre as alegações na época relacionadas a atos ilícitos. A referida auditoria concluiu não existir qualquer indício de irregularidade. O relatório é público e pode, inclusive, ser acessado no site do banco (https://www.btgpactual.com/noticias/quinn-emanuel-conclusoes-da-investigacao)”

COM A PALAVRA, A DEFESA DE GRAÇA FOSTER
A reportagem tenta contato com a defesa da ex-presidente da Petrobrás. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, A ADVOGADA SÔNIA COCHRANE RÁO, QUE DEFENDE ANDRÉ ESTEVES
“Inexplicável e verdadeiramente assustadora a nova medida de força adotada sem qualquer motivo, baseada na desacreditada delação de Antônio Palocci, contra uma instituição financeira e um cidadão recentemente vítima de violento erro judiciário reconhecido por todas as instâncias judiciais.”

 

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