Lava Jato exibe a Tribunal diálogo Temer-Moreira horas antes da prisão

Lava Jato exibe a Tribunal diálogo Temer-Moreira horas antes da prisão

Imagem de conversa via WhatsApp entre ex-presidente e ex-ministro de Minas e Energia foi anexada a recurso do Ministério Público Federal que defende volta de aliados emedebistas à cadeia

Julia Affonso

04 de abril de 2019 | 06h45

A Operação Lava Jato apresentou ao Tribunal Regional Federal da 2ª (TRF-2) uma cópia da conversa que o ex-presidente Michel Temer (MDB) e o ex-ministro Moreira Franco (Minas e Energia) tiveram na madrugada de 21 de março, horas antes de serem presos. Na avaliação do Ministério Público Federal, o diálogo via WhatsApp, é um indício de ‘conhecimento prévio da ordem de prisão’.

Às 1h24, MT escreve: “Estás acordado?”.

Moreira Franco tenta ligar à 1h40, mas o ex-presidente não atende. Um minuto depois, o ex-ministro envia uma mensagem. “Sim. Liguei, mas vc não atendeu.”

A Operação Descontaminação, que levou o emedebista e seus aliados à prisão, está ligada a uma investigação iniciada pela Procuradoria-Geral da República durante o período em que Temer ainda era presidente.

Após o fim do mandato e a perda do foro privilegiado do emedebista, o inquérito foi transferido para a Lava Jato Rio.

Michel Temer e Moreira Franco. Foto: André Dusek/Estadão

Nesta terça-feira, 2, o juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal do Rio, abriu duas ações penais contra o ex-presidente, Moreira Franco e outros 12 investigados no âmbito da Operação Descontaminação, braço da Lava Jato no Rio que mira supostas propinas nas obras da usina de Angra III, da Eletronuclear.

Os investigados são acusados pela força-tarefa por corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e peculato.

O ex-presidente também foi denunciado nesta terça, 2, em outra frente de investigação, na Lava Jato em São Paulo, pelo crime de lavagem de dinheiro na reforma da casa de sua filha, Maristela, supostamente bancada pelo Coronel Lima.

Após o recebimento da ação pelo juiz Bretas, as defesas de manifestaram desta forma:

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA EDUARDO CARNELÓS, QUE DEFENDE MICHEL TEMER

Considerando-se como foram decretada a prisão e determinadas outras medidas constritivas contra o ex-Presidente, o recebimento da denúncia estava anunciado. Reitere-se o que já se disse quando do oferecimento das imputações: Michel Temer nunca praticou nenhum dos crimes narrados, e as acusações insistem em versões fantasiosas, como a de que Temer teria ingerência nos negócios realizados por empresa que nunca lhe pertenceu. A partir disso, constrói-se uma tese acusatória completamente dissociada da realidade, usando-se, inclusive, fatos que são objeto de outros feitos.

Ainda que tardiamente, essas e as demais acusações que se fazem ao ex-Presidente terão o destino que merecem: a lata de lixo da História!

Eduardo Carnelós

COM A PALAVRA, O ADVOGADO FERNANDO JOSÉ DA COSTA, QUE DEFENDE VANDERLEI NATALE

“O advogado Fernando José da Costa, que defende Vanderlei de Natale, declara discordar da denúncia criminal, que em momento algum conseguiu individualizar a conduta de cada acusado. Fernando contesta ainda o recebimento desta denúncia criminal ocorrido na data de hoje. Nem Vanderlei, nem sua empresa tiveram qualquer relação profissional ou receberam qualquer valor da Eletronuclear, portanto, jamais poderia estar sendo processado por um juiz do Rio de Janeiro”.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA MORAES PITOMBO, DEFENSOR DE MOREIRA FRANCO

“A existência de um processo judicial pode servir para que autoridades públicas imparciais investiguem os fatos com interesse na busca da verdade e na compreensão quanto à inocência de um acusado. Agora, resta à Justiça Federal definir quem são tais autoridades e qual seu grau de imparcialidade em relação a Wellington Moreira Franco.”