Lava Jato em São Paulo denuncia ex-diretores da Dersa por lavagem de R$ 60 milhões em propinas em governos do PSDB

Lava Jato em São Paulo denuncia ex-diretores da Dersa por lavagem de R$ 60 milhões em propinas em governos do PSDB

Paulo Vieira de Souza e Mario Rodrigues Junior teriam usados contas na Suíça para ocultar pagamentos da Galvão Engenharia, feitos entre 2005 e 2009, em troca do favorecimento da construtura em obras viárias nas gestões de Geraldo Alckmin e José Serra; ex-governadores não são alvo da denúncia

Rayssa Motta e Fausto Macedo

29 de setembro de 2020 | 11h04

A força-tarefa da Operação Lava Jato em São Paulo denunciou nesta terça-feira, 29, Paulo Vieira de Souza e Mario Rodrigues Junior, ex-diretores da Dersa, e outras três pessoas pela lavagem de US$ 10,8 milhões (mais de R$ 60,7 milhões, pelo câmbio atual) em propinas recebidas no âmbito de obras viárias realizadas nas gestões dos tucanos Geraldo Alckmin (2001 – 2006) e José Serra (2007 – 2010). Os ex-governadores paulistas não são alvos da denúncia.

Este é um dos últimos atos da força-tarefa bandeirante que, também nesta terça, se desliga maciçamente do grupo de trabalho por discordância com a procuradora Viviane Martinez, coordenadora da Operação em São Paulo. Nos bastidores, a percepção é a de que a denúncia foi apresentada para tirar o caso das mãos da chefe, acusada pelos procuradores de conduzir um ‘processo de desmonte’ da Lava Jato.

Foram denunciados:

  • Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa;
  • José Rubens Goulart Pereira, sócio da Galvão Engenharia e ex-diretor da Andrade Gutierrez;
  • Cristiano Goulart Pereira, irmão de José Rubens;
  • Mario Rodrigues Junior, ex-diretor da Dersa;
  • Andrea Bucciarelli Pedrazzoli, ex-mulher de Mario Rodrigues.

Paulo Vieira de Souza é um dos denunciados. Foto: JF Diorio/Estadão

A denúncia é desdobramento das investigações que trouxeram a público a existência de um cartel de empreiteiras formado para fraudar licitações, dividir lotes de obras e maximizar lucros com anuência do poder público, segundo a Lava Jato. Os investigadores apontaram suspeitas de irregularidades na construção do Rodoanel, que circunda a região metropolitana paulistana, na ampliação da avenida Jacu Pêssego e na duplicação das marginais Pinheiros e Tietê.

Nesta etapa, a força-tarefa mirou as estratégias usadas pelos ex-diretores da Dersa para lavar o dinheiro recebido a título de ‘comissão’ em troca da articulação e interlocução entre construtoras e membros do governo. Segundo os procuradores, Mário Rodrigues Júnior e Paulo Vieira de Souza usaram contas mantidas na Suíça e abertas em nome de offshores para receber pagamentos ilícitos do Grupo Galvão Engenharia feitos entre os anos de 2005 e 2009 e operacionalizados por José Rubens Goulart Pereira, então diretor do conglomerado, com a ajuda de seu irmão, Cristiano Goulart Pereira.

“Profissional do mercado financeiro suíço, Cristiano Goulart Pereira atuava como representante dos ex-diretores da Dersa na movimentação das contas no país europeu e facilitava as transações ilícitas. Os investigadores identificaram que Cristiano, Mário Rodrigues e Paulo Vieira mantinham contas no banco Bordier & Cie, todas abertas em nome de offshores geridas por uma mesma pessoa jurídica, a Del Toboso Trust Co. S.A..”, afirma a Lava Jato.

Completa a lista de denunciados a então mulher de Mário Rodrigues, Andrea Bucciarelli Pedrazzoli, acusada de receber parte dos recursos transferidos ao marido.

COM A PALAVRA, OS ADVOGADOS DANIEL BIALSKI E JULIANA BIGNARDI, QUE DEFENDEM MÁRIO RODRIGUES E ANDREA BUCCIARELLI PEDRAZZOLI
Os advogados Daniel Bialski e Juliana Bignardi que representam Mário Rodrigues Júnior e Andrea Bucciarelli Pedrazzoli, disseram que até o momento não tiveram acesso aos autos. “Não temos conhecimento sobre os fatos até porque, em momento algum, Mário foi convocado a prestar esclarecimentos na Polícia Federal ou no Ministério Público. Recebemos com espanto a notícia desta denúncia, veiculada pela grande mídia, que, ao que nos parece, dá conta de mais uma infundada acusação. Temos convicção que esta virá a ser arquivada, assim como outras já foram, uma vez que Mário sempre se pautou pela ética e probidade enquanto era funcionário da DERSA e durante toda sua vida pública”, afirma Daniel Bialski.

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