Lava Jato diz que Léo Pinheiro ‘monitorou ativamente’ CPI da Petrobrás

Lava Jato diz que Léo Pinheiro ‘monitorou ativamente’ CPI da Petrobrás

Procuradoria da República anexou aos autos da investigação contra ex-senador Gim Argello documentos que, segundo os investigadores, evidenciam como empreiteiro vigiou os movimentos da Comissão em 2014

Julia Affonso, Mateus Coutinho, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

06 de setembro de 2016 | 12h35

Léo Pinheiro. Foto; Werther Santana/Estadão

Léo Pinheiro. Foto; Werther Santana/Estadão

A Procuradoria da República juntou aos autos da Operação Lava Jato seis documentos que, segundo os investigadores, evidenciam o ‘monitoramento ativo’ do ex-presidente da OAS José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, na CPI da Petrobrás em 2014.

O empreiteiro é suspeito de ter pago propina de R$ 350 mil ao ex-senador Gim Argello (PTB-DF) para barrar os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito naquele ano.

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Um documento anexado pela força-tarefa da Lava Jato ao processo é uma tabela que, segundo os procuradores, ‘evidencia o monitoramento por parte de José Adelmário Pinheiro Filho dos requerimentos da CPI para convocação dos empreiteiros’.

A tabela apreendida pela Polícia Federal tem quatro colunas: empresa, número, requerimento e deputado.

Em requerimentos, há informações sobre ‘cópia dos contratos e aditivos celebrados com a Petrobrás’, ‘quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico do período de 2009 a 2014, ‘convocar (o lobista) Julio Camargo, ‘convocar o (o executivo ligado à Queiroz Galvão) Othon Zanóide’.

A Federal apreendeu ainda e-mails internos da OAS ligados a requerimentos da Comissão Parlamentar ‘a evidenciar o monitoramento ativo de José Adelmário Pinheiro Filho quanto aos trabalhos da comissão’. Em 2 de junho de 2014, um funcionário da OAS escreveu a Léo Pinheiro às 9h51. No assunto do e-mail, ‘requerimentos CMPI9sic) por empresa e por deputado’.

“Dr Léo, Conforme solicitado segue em anexo os requerimentos feitos por empresa, com respectivos deputados (deixei os requerimentos das empresas que celebram contratos com a Petrobrás são do dep. Rubens Bueno. Os outros 10% estão distribuídos entre os deputados Álvaro Dias (pediu a quebra de sigilo da Coesa), Carlos Sampaio (solicitou a convocação de Julio Camargo e Othon Zanoide) e João Magalhães (fez diversos requerimentos contra a empresa Schaim (sic)). Abaixo segue relação por deputado dos requerimentos que entendo devemos ficar atentos. Qualquer dúvida, estou à disposição. Abs, Bruno Brasil.”

Outro documento apreendido que chamou a atenção dos procuradores era sigiloso. “Documento sigiloso com menção aos trabalhos da CPI da Petrobrás, no caso Ofício da CGU para a CPMI, inexplicavelmente encontrado na posse de José Adelmário Pinheiro Filho.”

Datado de 12 de junho de 2014, o papel é assinado por Jorge Hage Sobrinho e endereçado ao então senador Vital do Rêgo, hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).

A conduta de Vital do Rêgo na CPI da Petrobrás é investigada na Lava Jato.

No documento, Jorge Hage pede ao então parlamentar ‘cópias de processos e procedimentos de investigação relacionados com a construção da Refinaria de Abreu e Lima (RNEST) e de relatórios e outros documentos sobre possível pagamento de propina pela SBM Offshore a funcionários da Petrobrás’.

“Devo ressaltar que a documentação anexa inclui documentos preparatórios integrantes de trabalhos em andamento, bem como documentos sigilosos pelo seu conteúdo de informações pessoais relativas a intimidade, honra e imagem e, ainda, informações enquadradas em hipóteses de sigilo comercial e industrial, especialmente no que se refere aos documentos originários da Petrobrás, razão pela qual requer-se a sua não divulgação e a restrição de acesso por terceiros, tudo na conformidade do disposto na Lei nº 12.527”, informa Jorge Hage a Vital do Rêgo.

Os procuradores destacaram ainda um documento apreendido na OAS com os seguintes dizeres: “CPI ? Restringir os chamamentos sejam para os líderes/representantes dos Consórcios/SPE’s. ?Não pode ser chamado CPI – fora do escopo ? R.P. – BSB .”

Em outro papel, a força-tarefa identificou ‘a pauta de reunião do Comitê Executivo da OAS, datado de 20 de junho de 2014, com destaque para os trabalhos desenvolvidos pela CPI’.

O Ministério Público Federal apontou também para um ‘documento apreendido na sede da empreiteira Engevix, datado de 27 de maio de 2014, que evidencia a liderança de Léo Pinheiro na tentativa de arrecadar valores para obstruir os trabalhos da CPMI’. “Tal documento foi mencionado por José Antunes Sobrinho e Gérson de Mello Almada nos depoimentos que prestaram em juízo”, aponta a força-tarefa.

COM A PALAVRA, GIM ARGELLO:

Em nota, a Santafé Ideias, que faz assessoria de imprensa para Gim Argello, refutou as acusações que pesam contra o ex-senador.

“Em relação à citação ao ex-senador Jorge Afonso Argello no despacho/decisão da 13ª Vara Federal de Curitiba que decidiu pela prisão preventiva de José Adelmário Pinheiro Filho (Léo Pinheiro), a defesa de Argello esclarece:

O encerramento da instrução processual já demonstrou a inexistência de qualquer ato ilícito do ex-senador Gim Argello praticado em relação a CPMI da Petrobras, a qual o ex-senador foi vice-presidente.
Ressalve-se que o relatório final da CPMI foi contundente ao indicar e determinar o indiciamento de diversas empresas e pessoas físicas envolvidas na operação Lava-Jato (Construtora OAS S.A, OAS Engenharia e participações , UTC Engenharia S.A , Jose Aldemário Pinheiro Filho, Julio Gerin de Almeida Camargo, Ricardo Ribeiro Pessoa).

A aprovação desse relatório, por 11 votos, refuta, por si, a ideia de que houve qualquer tentativa de influenciar a CPMI para livrar personagens ora citados na operação Lava-Jato.

A defesa e seus familiares repudiam veementemente a ilação ou a suposição de qualquer ato ilícito por parte do ex-senador Jorge Afonso Argello.”

 

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