Lava Jato diz que ‘grande parte de ativos ilícitos’ de Walter Faria permanece no exterior

Lava Jato diz que ‘grande parte de ativos ilícitos’ de Walter Faria permanece no exterior

Na decisão em que deflagrou 'Rock City', fase 62 da operação, juíza federal Gabriela Hardt anota que empresário presidente do Grupo Petrópolis internalizou US$ 136,8 milhões de um montante declarado de R$ 1,3 bilhão

Luiz Vassallo, Pepita Ortega e Fausto Macedo

31 de julho de 2019 | 12h43

Fábrica do Grupo Petrópolis no Rio. Foto: Google Maps

Alvo de decreto de prisão preventiva na Operação Rock City, a fase 62 da Lava Jato deflagrada nesta quarta, 31, o presidente do Grupo Petrópolis Walter Faria declarou ter R$ 1,3 bilhão em contas no exterior, segundo aponta relatório de sua quebra de sigilo bancário. Segundo a Receita Federal, o montante equivale a 1% do total repatriado no âmbito do Regime Especial de Regularização Cambial e tributária (RERCT).

O Ministério Público Federal rastreou as contas do dono do Grupo Petrópolis e encontrou ativos na Suíça, Ilhas Virgens, Panamá, Reino Unido, Holanda e Uruguai.

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Segundo a procuradora Laura Tessler, que elaborou o relatório, ‘a análise teve por objeto as Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física de Walter Faria dos anos-calendário 2006 a 2017’.

“Dessas declarações foram coletados e empilhados os registros de ativos, com indicação de localização no exterior”. Ela elenca todas as movimentações financeiras de Faria no período. Parte teria sido repatriada.

Segundo o juiza federal Gabriela Hardt, em decisão que autorizou a prisão de executivos do Grupo Petrópolis, Walter Faria ‘aderiu ao Regime Especial de Regularização Cambial e tributária (RERCT) e “regularizou” R$ 1.393.800.399,02, conforme declarações de imposto de renda’.

“Em consulta aos dados de operações de câmbio de Walter Faria, constata-se que o investigado internalizou, de 01/01/2013 a 31/01/2019, o montante de USD 136.800.000,00, o que indica claramente que os ativos ilícitos permanecem em grande parte no exterior”, anotou Gabriela.

O juiz ainda anota que, ‘segundo o Relatório de Inteligência Financeira n.41353.3.138.4851 emitido pelo Coaf, de 08/04/2019 a 11/04/2019, Walter Faria internalizou cerca de R$ 185.805.000,00 e tentou adquirir uma Cédula de Crédito Bancário junto Intrader Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, mas não foi concretizado o negócio, pois este não conseguiu comprovar a licitude dos valores perante a instituição financeira’.

Lava Jato 62

Nesta quarta, 31, um efetivo de 120 policiais federais saiu às ruas para executar a operação ‘Rock City’, fase 62 da Lava Jato. Eles cumprem um mandado de prisão preventiva contra Walter Faria e cinco de prisão temporária de executivos do Grupo Petrópolis.

Três ordens de prisão foram cumpridas pela Polícia Federal até agora – Maria Elena de Souza, secretária da Diretoria do Grupo Petrópolis, Vanuê Faria, sobrinho do empresário Walter Faria, e o advogado Silvio Pelegrini, em cuja residência os investigações encontraram R$ 240 mil em dinheiro vivo.

Segundo o Ministério Público Federal no Paraná, o Grupo disponibilizou pelo menos R$ 208 milhões em espécie à Odebrecht no Brasil entre 2007 e 2011 e repassou R$ 121.581.164,36 em propinas da construtora disfarçadas de doações eleitorais.

Os navios-sonda da Petrobrás

A investigação identificou ainda contas bancárias no exterior controladas por Walter Faria que teriam sido utilizadas para o pagamento de propina no caso dos navios-sonda Petrobras 10.000 e Vitória 10.000.

De acordo com o Ministério Público Federal, entre setembro de 2006 a novembro de 2007, Júlio Gerin de Almeida Camargo e Jorge Antônio da Silva Luz, operadores que intermediavam a propina creditaram US$ 3.433.103,00 em favor das contas bancárias titularizadas pelas offshores Headliner LTD e Galpert Company S/A, cujo responsável era o controlador do grupo Petrópolis.

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