Lava Jato diz que ‘criminoso agressivo, sorrateiro’ usou máscaras digitais para clonar celulares dos procuradores

Lava Jato diz que ‘criminoso agressivo, sorrateiro’ usou máscaras digitais para clonar celulares dos procuradores

Força-tarefa do Ministério Público Federal no Paraná afirma que hacker invadiu suas comunicações pelo aplicativo Telegram, está agindo desde abril e se aproveitou de 'falhas estruturais na rede de operadoras de telefonia móvel'

Redação

10 de junho de 2019 | 17h31

Deltan Dallagnol. FOTO: THEO MARQUES/ESTADÃO

A força-tarefa do Ministério Público Federal no Paraná, base e origem da Operação Lava Jato, declarou nesta segunda, 10, que seus procuradores foram alvo da ação de ‘criminoso agressivo, sorrateiro’. A Lava Jato destacou, em nota, que hacker invadiu suas comunicações pelo aplicativo Telegram e se aproveitou de ‘falhas estruturais na rede de operadoras de telefonia móvel’ para clonar números de celulares de seus procuradores.

Neste domingo, 9, o site The Intercept divulgou diálogos entre o coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, e o ex-juiz Sérgio Moro, hoje ministro da Justiça e Segurança Pública. As conversas sugerem interferência direta de Moro nos rumos da Lava Jato, inclusive ‘arranjo’ e reordenamento das fases da grande operação que desmontou esquema de corrupção e cartel na Petrobrás.

“O modo de agir agressivo, sorrateiro e dissimulado do criminoso é um dos pontos de atenção da investigação”, diz a força-tarefa. “Aproveitando falhas estruturais na rede de operadoras de telefonia móvel, o hacker clonou números de celulares de procuradores e, durante a madrugada, simulou ligações aos aparelhos dos membros do Ministério Público Federal.”

“Para tanto, valeu-se de ‘máscaras digitais’, indicando como origem dessas ligações diversos números, como os dos próprios procuradores, os de instituições da República, além de outros do exterior”, segue a nota do Ministério Público Federal.

Segundo a força-tarefa ‘as ligações eram feitas durante a noite com o objetivo de identificar a localização da antena (ERB) mais próxima do aparelho celular, viabilizando assim a intrusão, além de fazer com que o ataque não fosse descoberto’.

“O hacker ainda sequestrou identidades, se passando por procuradores e jornalistas em conversas com terceiros no propósito rasteiro de obter a confiança de seus interlocutores e assim conseguir mais informações”, ressalta a nota da força-tarefa.

“O hacker ainda tentou fazer contato com alguns procuradores utilizando-se de identidade virtual falsa e com tom intimidatório, mas suas investidas não foram aceitas pelos procuradores. Além disso, foram identificadas tentativas de ataques cibernéticos a familiares próximos de procuradores, o que reforça o intuito hediondo do criminoso.”

No dia 14 de maio, a Procuradoria-Geral da República determinou a instauração de um procedimento administrativo para acompanhar a apuração de tentativas de ataques cibernéticos a membros do Ministério Público Federal, sobretudo procuradores que integram a força-tarefa Lava Jato.

No âmbito da PGR, foram ainda determinadas providências à Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação (STIC) ‘no sentido de diagnosticar eventuais ataques e resolver o problema de forma definitiva’.

“As investigações nos diversos âmbitos prosseguem.”

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