Lava Jato denuncia Zelada por corrupção e executivo por propina ao PMDB

Ex-diretores da Petrobrás e PMDB teriam recebido cerca de US$ 31 milhões em propina para beneficiar contrato da estatal com empresa americana no afretamento de navio-sonda

Redação

06 de agosto de 2015 | 18h51

Jorge Zelada após ser preso no início de julho. Foto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press

Jorge Zelada após ser preso no início de julho. Foto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

A força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal (MPF) denunciou nesta quarta-feira, 5, o ex-diretor da Petrobrás Jorge Luiz Zelada (Internacional), por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, e o executivo João Augusto Rezendo Henriques, por suposto repasse de propina ao PMDB. O Ministério Público Federal acusa outros quatro investigados pelos mesmos crimes atribuídos a Zelada – o ex-diretor geral da área internacional da estatal Eduardo Vaz da Costa Musa, os lobistas Hamylton Pinheiro Padilha Junior, Raul Schmidt Felippe Junior e o executivo Hsin Chi Su (Nobu Su).

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Segundo a Procuradoria, para operacionalização do esquema atuaram como intermediários na negociação para contratação de navios-sonda, e posterior repasse de ‘vantagens indevidas’, os lobistas Hamylton Padilha, Raul Schmidt Junior e João Augusto Rezende Henriques.

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“Coube a Padilha pagar a parte destinada a Eduardo Musa. Raul Schmidt Junior realizou os pagamentos em favor de Zelada, enquanto João Augusto Rezende Henriques distribuiu a vantagem indevida ao PMDB. Todos fizeram os pagamentos mediante depósitos no exterior”, afirma o Ministério Público Federal.

A força-tarefa apurou que Hsin Chi Su, executivo da empresa chinesa TMT, e Hamylton Padilha, lobista que atuava na Petrobrás, repassaram aproximadamente US$ 31 milhões a título de propina para Zelada (diretor Internacional da Petrobrás entre 2008 e 2012), para Eduardo Musa e para o PMDB, responsável pela indicação e manutenção destes em seus respectivos cargos.

De acordo com a denúncia, em troca desses valores Zelada e Eduardo Musa beneficiaram a sociedade americana Vantage Drilling no contrato de afretamento do navio-sonda Titanium Explorer, celebrado com a Petrobras no valor de US$ 1.816.000,00. A Comissão Interna de Apuração instituída pela Petrobrás a partir das investigações da Operação Lava Jato apontou diversas irregularidades neste contrato, como por exemplo a não submissão de pedido à diretoria executiva da estatal para o início das negociações e da contratação; a finalização dos trabalhos da Comissão de Negociação antes da conclusão do processo de negociação e contratação; a inexistência de provas do recebimento das propostas de todos os fornecedores; a inexistência de elaboração de relatório final da contratação; propostas comerciais enviadas por e-mail; e submissão de relatório incompleto à Diretoria Executiva.

Além disso, auditoria interna da Petrobrás constatou indícios de manipulações, a pedido de Zelada, dos estudos que indicavam a necessidade da contratação deste navio-sonda; falta de governança corporativa adequada ante o não registro de reuniões de negociações; falta de uniformidade de parâmetros de comparação entre as propostas; alta de prova de análise da economicidade da redução de taxa em troca de aumento de prazo contratual quando da realização do aditivo contratual; e concessão de extensão de prazo para apresentação do navio-sonda sem aplicação de penalidade.

A partir de informações obtidas em cooperação internacional com Mônaco, foi apurado que Jorge Zelada mantinha ocultos no exterior depósitos superiores a €11.586.109,66, em nome próprio e de empresas offshores – valor completamente incompatível com sua renda como diretor internacional da Petrobrás. Além disso, analisando o histórico de suas contas em Mônaco, foi possível verificar que Jorge Luiz Zelada transferiu recursos mesmo após a deflagração da Operação Lava Jato e, mais ainda, depois de o seu nome figurar entre os possíveis investigados.

Também foram reunidas diversas provas que ligam todos os envolvidos no período em que foi celebrado tal contrato, tais como registros de reuniões, relatórios de acesso ao prédio da Petrobrás, e-mail trocados e relatórios de fluxo migratório, bem como os documentos bancários das contas mantidas no exterior, os quais indicam que Jorge Luiz Zelada efetivamente recebeu milhões de reais de propina enquanto foi diretor da Petrobrás.

COM A PALAVRA, O PMDB:

A assessoria de imprensa do partido negou todas as acusações e disse que a sigla nunca autorizou quem quer que seja a ser intermediário do partido para arrecadar recursos.

COM A PALAVRA,  A DEFESA DE JORGE ZELADA:

O criminalista Alexandre Lopes, que defende o ex-diretor da Petrobrás, afirmou que a denúncia “é absolutamente improcedente” e disse que vai demonstrar a invalidade das acusações.”A denúncia é absolutamente improcedente e baseada em delações premiadas que não se sustentam. A defesa demonstrará a invalidade da denúncia no curso da instrução criminal”, afirmou o defensor. 

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