Lava Jato aprofunda investigação sobre desvios na Transpetro

Lava Jato aprofunda investigação sobre desvios na Transpetro

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal buscam documentos, equipamentos, mídias e arquivos eletrônicos, aparelhos de telefone, valores e outros objetos em endereços residenciais e comerciais

Beatriz Bulla, Fábio Fabrini e Fabio Serapião

28 de abril de 2017 | 10h41

A operação deflagrada nesta manhã tem como objetivo aprofundar as investigações de desvios na Transpetro, informou a Procuradoria-Geral da República (PGR). As buscas e apreensões foram solicitadas pelo órgão e autorizadas pelo ministro Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), para coletar provas de crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa.

A delação do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, serve de embasamento para a operação de hoje. Nos mandados, a Polícia Federal e integrantes do Ministério Público Federal buscam documentos, equipamentos, mídias e arquivos eletrônicos, aparelhos de telefone, valores e outros objetos em endereços residenciais e comerciais em Alagoas, Rio Grande do Norte, Sergipe, São Paulo e no Distrito Federal.

Um dos alvos de busca é o advogado Bruno Mendes, que seria ligado ao senador Renan Calheiros (PMDB). Mendes já ocupou o cargo de assessor parlamentar de Calheiros.Ele foi gravado em uma das conversas do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado entregues à Lava Jato.

A operação é um desdobramento da Satélites, deflagrada pela PF em 21 de março tendo como alvo pessoas ligadas aos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Humberto Costa (PT-PE), Eunício Oliveira (PMDB-CE) e Valdir Raupp (PMDB-RO).

À época, em nota, a PF informou a Satélites foi a primeira vez em que se utilizou informações dos acordos de colaboração premiada firmados com executivos e ex-executivos da Odebrecht. Os acordos foram homologados pelo STF em janeiro deste ano.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO LUÍS HENRIQUE MACHADO, DEFENSOR DE BRUNO MENDES

Por meio de nota de esclarecimento, o advogado Luís Henrique Machado, constituído pelo advogado Bruno Mendes, informou que o pedido de busca já havia sido ‘incisivamente indeferido pelo ministro Teori Zavascki no ano passado’.

“Não existia qualquer indício ou notícia de prática ilícita envolvendo o advogado”, assinala Luís Henrique Machado, do escritório Machado Ramos & Von Glehn Advogados.

Machado destaca que na operação deflagrada nesta sexta-feira, 28, a Polícia Federal ‘não localizou, identificou ou apreendeu nenhum objeto de valor, como dinheiro em espécie, obras de arte ou joias que pudessem aparentar origem suspeita ou resultado de conduta ilícita’.

LEIA A INTEGRA DA NOTA DE ESCLARECIMENTO DO ADVOGADO LUÍS HENRIQUE MACHADO

“Diante do pedido de busca e apreensão realizado, nesta sexta-feira, no escritório de advocacia de Bruno Mendes vale esclarecer:

Pedido de natureza semelhante já havia sido incisivamente indeferido pelo Ministro Teori Zavascki no ano passado, pois não existia qualquer indício ou notícia de prática ilícita envolvendo o Advogado.

Na operação realizada hoje pela Polícia Federal, não foi localizado, identificado ou apreendido, nenhum objeto de valor, como dinheiro em espécie, obras de arte ou joias que pudessem aparentar origem suspeita ou resultado de conduta ilícita. Basicamente foram recolhidas cópias relativas à defesa de clientes, rascunhos de discursos e cartões de visita.”

Tudo isso demonstra que não há nenhuma evidência ou participação do advogado nos fatos investigados.

Luís Henrique Machado, advogado de Bruno Mendes
Escritório: Machado Ramos & Von Glehn Advogados

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