Lava Jato denuncia João Santana e ‘núcleo da propina’ da Odebrecht

Lava Jato denuncia João Santana e ‘núcleo da propina’ da Odebrecht

Além do marqueteiro das campanhas de Lula e Dilma, força-tarefa acusa mais 16 investigados, entre eles o empreiteiro Marcelo Odebrecht, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari e a mulher de João Santana, Mônica Moura, que está fazendo delação premiada

Mateus Coutinho, enviado especial a Curitiba

28 de abril de 2016 | 11h31

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O procurador da República Deltan Dallagnol. Foto: Mateus Coutinho/Estadão

A força-tarefa da Lava Jato apresentou nesta quinta-feira, 28, duas denúncias contra o casal de marqueteiros que atuou nas campanhas de Dilma Rousseff (2010 e 2014) e Lula (2006), João Santana e Mônica Moura. Uma das denúncias tem como alvo, além do casal, funcionários do chamado “departamento da propina” da Odebrecht, revelado pelas operações Acarajé e Xepa, e o empreiteiro Marcelo Odebrecht. Ao todo, 17 pessoas foram denunciadas nesta quinta-feira.

O empreiteiro Marcelo Odebrecht, preso desde 19 de junho de 2015, é alvo da terceira denúncia no âmbito da Lava Jato. Ele já foi condenado em uma delas a 19 anos e quatro meses de prisão. O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, condenado a 15 anos de prisão, é outro alvo das duas acusações formais apresentadas nesta quinta. Entre os denunciados está também Maria Lúcia Tavares, secretária que atuava no “departamento da propina” da Odebrecht. A funcionária fez acordo de delação premiada e revelou como funcionavam os repasses de propinas da maior empreiteira do País – eram utilizados planilhas com apelidos que faziam referências a alimentos (“acarajé”, por exemplo, era o termo usado para se referir a propinas) e até um software específico.

VEJA A LISTA DOS DENUNCIADOS:

denunciados

Os procuradores da República em Curitiba, responsáveis pela investigação na primeira instância, concluíram nesta quinta-feira as acusações que deveriam ser protocoladas à tarde na 13.ª Vara Federal de Curitiba, do juiz Sérgio Moro. Uma das denúncias chegou a ser oferecida em março, mas como o juiz Sérgio Moro teve de remeter as investigações para o Supremo, a acusação não chegou a ser analisada. Agora, por decisão do STF, o caso voltou para a primeira instância e será avaliado pelo magistrado.

Até o momento não há informações sobre as denúncias, as primeiras acusações formais desde que a Lava Jato avançou sobre o “departamento de propinas” da Odebrecht e sobre o ex-senador Gim Argello (PTB-DF), preso preventivamente sob suspeita de receber R$ 5,3 milhões para evitar a convocação de empreiteiros nas CPIs que investigaram a Petrobrás no Senado e no Congresso em 2014.

Com as denúncias desta quinta, chegam a 39 as acusações da Lava Jato contra investigados por corrupção, lavagem de dinheiro, formação de organização criminosa, tráfico de drogas, crimes contra o sistema financeiro, dentre outros. Das 39 acusações, o juiz Sérgio Moro já proferiu sentença em 18 delas, contabilizando 93 condenações. Somadas, as penas chegam a 990 anos e sete meses de prisão.

Os investigadores da Lava Jato apontam, ao todo, o pagamento de R$ 6,4 bilhões em propinas, dos quais pelo menos R$ 2,9 bilhões já foram recuperados por meio de acordos de colaboração premiada. Segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já foram fechadas 65 delações no âmbito da operação, considerada a maior do País.

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