Lava Jato aponta sobrepreço de 16% em um contrato da Abreu e Lima

Laudo pericial diz que foram pagos R$ 648 milhões a mais em obras de coqueamento retardado, segundo revela o Jornal Nacional, da TV Globo

Redação

07 de julho de 2015 | 23h03

Por Julia Affonso e Mateus Coutinho

Refinaria de Abreu e Lima. Foto: Wilton Júnior/Estadão

Refinaria de Abreu e Lima. Foto: Wilton Júnior/Estadão

A Operação Lava Jato suspeita que as obras relativas a apenas um dos contratos da Refinaria Abreu e Lima (RNEST, Pernambuco), da Petrobrás, custaram R$ 648 milhões a mais que o orçado, revelou reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, nesta terça-feira, 7. Os investigadores calculam sobrepreço de 16%. Eles trabalham com a hipótese de que parte desse valor foi pago em propinas para deputados, senadores e partidos políticos.

Segundo o Jornal Nacional, laudo pericial produzido com base na análise de extratos bancários, movimentações financeiras e troca de e-mails entre executivos mostra que o preço da corrupção nesse contrato da Abreu e Lima superou em mais de cinco vezes o que foi revelado pelo primeiro delator da Lava Jato, o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa (Abastecimento). Ele afirmou que a propina repassada a parlamentares e agremiações ficava em torno de 3% do valor superfaturado de cada contrato.

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O laudo aborda o contrato de montagem, construção, fornecimento de suprimentos e aditivos das unidades de coqueamento retardado da Abreu e Lima. Para chegar à conclusão de que foram liberados a mais R$ 648 milhões, os investigadores cotejaram preços pagos pelo consórcio a fornecedores e os valores que revendia à Petrobrás.
Os investigadores da Lava Jato sustentam que em alguns casos o lucro do consórcio atingiu 1.600%, destacou o Jornal Nacional.

A reportagem mostra que na documentação recolhida na sede da empreiteira Camargo Corrêa durante a Operação Juízo Final – fase da Lava Jato que derrubou o cartel de empreiteiras no esquema de propinas na Petrobrás – identificou depósitos que somaram R$ 26 milhões para 30 empresas sob suspeita de lavagem de dinheiro.

Entre essas empresas estão a consultoria Costa Global, controlada por Paulo Roberto Costa, que captou R$ 2,8 milhões da construtora, entre outubro de 2012 e dezembro de 2013.

A JD Assessoria e Consultoria, do ex-ministro-chefe da Casa Civil (Governo Lula), José Dirceu, recebeu R$ 844 mil da Camargo Corrêa, entre maio de 2010 e fevereiro de 2012.

COM A PALAVRA, O CONSÓRCIO CNCC

“O Consórcio CNCC esclarece que não procede a acusação de sobrepreço e que está prestando os esclarecimentos no referido processo legal.”

A defesa de Dirceu argumentou ao Jornal Nacional que sua empresa de consultoria, já desativada, foi contratada pela Camargo Corrêa para atuar em Portugal e que a própria empreiteira reconhece este dado. A defesa do ex-ministro sustenta que o contrato e notas fiscais foram entregues à Justiça Federal no Paraná em janeiro.

A defesa de Paulo Roberto Costa disse que ainda não teve acesso ao laudo da Lava Jato.

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