Lava Jato aponta ‘risco concreto’ de Vaccari continuar no crime

Tesoureiro do PT foi preso nesta quarta, 15, por cobrar propinas para o partido em forma de doações

Redação

15 Abril 2015 | 10h39

por  Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Fausto Macedo e Ricado Chapola

O procurador da República Carlos Fernando Lima afirmou que a prisão preventiva de João Vaccari se fundamenta no risco concreto de que ele continue praticando atos ilícitos “considerando que ele é tesoureiro do PT e arrecadou doações oficiais das empreiteiras” investigadas por formação de cartel e corrupção na Operação Lava Jato na campanha de 2014.

Vaccari foi preso na manhã desta quarta-feira, 15, quando saía de sua casa em São Paulo para uma caminhada. Ele será levado para a sede da PF em Curitiba.

Em pedido de prisão, o Ministério Público Federal salientou que Vaccari está denunciado justamente por cobrar propina por meio de doações eleitorais oficiais.

Na nona fase da Operação Lava Jato, denominada My Way, o tesoureiro do PT, João Vaccari, foi levado à PF para depor. Foto: Felipe Rau/Estadão

Na nona fase da Operação Lava Jato, denominada My Way, o tesoureiro do PT, João Vaccari, foi levado à PF para depor. Foto: Felipe Rau/Estadão

“O que demonstra que, possivelmente, ao menos parte das doações de 2014 das empresas investigadas na Operação Lava Jato seriam, na realidade, pagamento de vantagem indevida.”

A Polícia Federal e o MPF concederam entrevista coletiva nesta manhã em Curitiba para falar sobre a prisão de Vaccari, sua cunhada Marice Corrêa Lima e da condução para depor da mulher do tesoureiro do PT, Giselda Rousie de Lima.

“Sabíamos que doações oficiais escondiam operações de lavagem de dinheiro. Nós verificamos que Vaccari tem trajetória desse tipo de operação desde 2004”, afirmou o procurador.

Vaccari responde por recebimento de propina, por enriquecimento ilícito, usando sua filha para ocultar patrimônio, entre outras.

O procurador anotou que desde 2004, Vaccari “mantém uma trajetória nesse tipo de operação”. Ele se refere à gestão do tesoureiro do PT na presidência da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo, a Bancoop. Segundo o Ministério Publico Estadual paulista, Vaccari deixou um rombo de cerca de R$ 100 milhões na entidade. Em 2010, Vaccari foi denunciado criminalmente por lavagem de dinheiro e estelionato.

“Esses fatos vem sendo repetidos, há indicativos de que no caso Bancoop houve desvios para partido político”, observou o procurador. “Essa atuação reiterada nos levou a acreditar necessária a prisão preventiva. Temos uma série de depósitos não identificados. Há transação financeira envolvendo a filha de Vaccari que indicam lavagem de dinheiro e a relação antiga dele com a OAS (empreiteira alvo da Lava Jato) e a Bancoop.”