Lava Jato aponta enriquecimento ilícito de Vaccari e familiares

Lava Jato aponta enriquecimento ilícito de Vaccari e familiares

Quebra do sigilo bancário e fiscal do tesoureito do PT, preso na manhã desta quarta, 15, aponta 'acréscimo patrimonial a descoberto'

Redação

15 Abril 2015 | 09h48

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Andreza Matais e Fausto Macedo

Indícios de enriquecimento ilícito do tesoureiro do PT João Vaccari Neto e de seus familiares levaram a Justiça Federal a decretar sua prisão preventiva. A suspeita de que o tesoureiro, preso na manhã desta quarta feira, 15, em São Paulo, obteve ‘acréscimo patrimonial a descoberto’ foi levantada a partir da quebra de seu sigilo bancário e fiscal, da mulher dele, Giselda Rousie de Lima, da filha do casal Nayara de Lima Vaccari, e da cunhada Marice Correa de Lima. Vaccari foi presto na manhã desta quarta-feira, 15, quando estava em casa, em São Paulo. Ele foi levado para Curitiba. 

Vaccari foi preso nesta terça-feira. Foto: Geraldo Bubniak/AGB

Vaccari foi preso nesta terça-feira. Foto: Geraldo Bubniak/AGB

Para o juiz Sérgio Moro, que mandou prender Vaccari, há indícios contra o tesoureiro da prática de crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro. Pesou na decisão judicial os depoimentos de pelo menos cinco delatores da Operação Lava Jato “apontando a participação de João Vaccari Neto no esquema criminoso no âmbito de contratos da Petrobrás e da SeteBrasil”.

“Caberia a ele (Vaccari) intermediar parte da propina acertada entre as empreiteiras e os dirigentes da Petrobrás em favor de agentes ligados ao Partido dos Trabalhadores”, anotou o juiz. “Parte das declarações dos cinco criminosos colaboradores encontra amparo em prova testemunhal ou mesmo prova documental por eles providenciada ou obtida de forma independente na investigação criminal.”

Nos autos da Lava Jato há prova documental do pagamento de pelo menos R$ 1,5 milhão por empresas controladas pelo executivo Augusto Ribeiro, um dos delatores, à Editora Gráfica Atitude. O repasse, segundo a força tarefa da Lava Jato, teria sido feito por solicitação de Vaccari “em espécie de doação não-contabilizada” para o PT.

A abertura dos dados da família Vaccari revelou que a filha dele Nayara de Lima Vaccari, “apresentou significativo acréscimo patrimonial entre 2009 a 2014′. O relatório fiscal informa. “Entre os anos calendários de 2008 e 2013 (correspondentes DIRPF dos exercícios de 2009 a 2014) não declarou nenhum rendimento tributável próprio de trabalho, exceção a um pequeno valor de bolsa de residente em medicina de dois anos. Observe-se, por importante para a investigação e aprofundamento da real origem dos recursos, que seu patrimônio pessoal neste período sem atividade laboral própria independente e capacidade financeira corresponde, cresceu de R$ 240 mil (decorrente de bens anteriormente declarados na DIRPF dos pais) atingindo em 31/12/2013 mais de R$ 1 milhão.”