Lava Jato analisa se Cabral recebeu propina em contratos da Olimpíada

Lava Jato analisa se Cabral recebeu propina em contratos da Olimpíada

Ministério Publico Federal pediu para que o Comitê Organizador da Rio 2016 apresente, em 24 horas, informações sobre os contratos firmados com a empresa Masan, cujo dono é o empresário Marco Antonio de Luca, preso nesta quinta-feira, 1, na Operação Ratatouille

Constança Rezende/RIO

01 de junho de 2017 | 13h52

Sérgio Cabral. Foto: Wilton Júnior/Estadão

A Polícia Federal prendeu preventivamente nesta quinta-feira, 1, na Operação Ratatouille o empresário Marco Antônio de Luca. Ele é acusado de repassar R$ 12,5 milhões em propina  ao suposto esquema que teria sido chefiado pelo ex-governador Sérgio Cabral (PMDB). Segundo o Ministério Público Federal (MPF), os pagamentos se referiam  a contratos para fornecer alimentos a presídios e hospitais. Foram firmados com a Masan Serviços Especializados, da qual Luca é sócio-administrador. A Procuradoria da República investiga também outros contratos – entre eles, para fornecimento de serviços ao Comitê Organizador da Olimpíada. Suspeita que Cabral pode ter influenciado nesses acordos.

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“De fato a lista de contratos firmados entre o Comitê Rio 2016 e a empresa Masan Serviços Especializados é expressiva e pode ter tido influência também de Sérgio Cabral”, disse o MPF, na denúncia apresentada à Justiça.

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Luca, foi preso em sua casa, na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, zona sul do Rio. O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, também determinou o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao empresário. Uma das linhas de investigação é em relação a seis contratos celebrados entre a Masan e o Comitê Organizador da Rio 2016, de serviços de limpeza, segurança, manutenção predial, alimentação e mão-de-obra de atendentes para os jogos. Os procuradores solicitaram que o Comitê apresente, em 24 horas, informações sobre os contratos.

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Os procuradores que investigam o suposto esquema de Cabral chegaram a Luca após o operador de Cabral, Luiz Carlos Bezerra, dizer que eram do empresário os codinomes “Louco”, “Crazy” ou “de Louco” nas planilhas de contabilidade da suposta quadrilha. Luca seria responsável por abastecer o esquema com R$ 200 mil por mês. O controle era feito por meio de aplicativos codificados.

A operação da PF foi batizada pela de Ratatouille, um prato típico da culinária francesa. É uma referência ao jantar de Cabral com empresários em Paris, em 2009, no qual os convidados colocaram guardanapos na cabeça. Luca estava presente e aparece em algumas fotos.

O Ministério Público Federal investiga se houve irregularidades em contratos firmados entre a Masan e o Estado em outros setores, que chegam a R$ 2,1 bilhões. Chamou atenção do MPF o crescimento de contratos do grupo empresarial ligado a Luca a partir de 2010. A Masan, que tinha apenas dois contratos em 2008 (no valor de R$ 2,3 milhões), chegou a ter 26 contratos em 2015. Já a Comercial Milano Brasil, pertencente ao mesmo grupo familiar, chegou a ter 41 contratos em 2016, no valor global de R$ 300 milhões.

“Muitos desses pagamentos foram feitos até mesmo depois da saída de Cabral do governo. Alguns ainda estão em vigor. Estamos trabalhando para analisá-los. Acredito que os valores sejam muito maiores que isso”, disse o procurador Eduardo El Hage.

Outro lado. O diretor de Comunicação do Comitê Rio 2016, Mario Andrada, afirmou que os contratos com a Masan passaram “por todos os trâmites”. Foram aprovados pelo Conselho Diretor da entidade, composto por dez pessoas- com representantes dos governos federal, estadual e municipal, explicou. Andrada disse ainda que não comentaria as acusações do MPF e afirmou que o CORIO apresentará todas os documentos pedidos, quando intimado. O Comitê deve R$ 16 milhões à Masan.

A advogada de Luca, Fernanda Tórtima, disse que não daria declarações. Já a assessoria de imprensa da Masan declarou que o empresário não faz parte da Masan desde agosto de 2015 e nunca participou do quadro societário da Milano.

“A Masan trabalha com o Governo do Estado do Rio de Janeiro desde 2005, antes do início da administração Sérgio Cabral. Todas as licitações ganhas pela empresa foram pela modalidade de menor preço. A Masan ressalta ainda que nunca foi condenada por qualquer tipo de irregularidade em sua história”, afirmou a empresa, por meio de nota.

“A empresa sofre hoje, como todos os prestadores de serviços, com a inadimplência do Governo do Estado do Rio de Janeiro, que chega à casa de R$ 70 milhões. O passivo, iniciado em 2010, vem sendo cobrado na instância administrativa. A empresa sempre se colocou à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários sobre suas operações”, afirmou a empresa no texto.

 

 

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