Lava Jato acusa Cabral pela 17.ª vez

Ex-governador, condenado nesta terça-feira, 19, a 15 anos de prisão, agora é denunciado com mais quatro investigados por organização criminosa, corrupção, fraudes em licitações e cartel na Fundação Departamento de Estradas de Rodagem do Rio (Funderj)

Constança Rezende/RIO

19 Dezembro 2017 | 13h42

Sérgio Cabral. Foto: Carlos Magno/Imprensa RJ

O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal , aceitou a 17ª denúncia contra o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), nesta terça-feira, 19. Desta vez, Cabral é acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de receber propina a partir de contratos da Fundação Departamento de Estradas e Rodagem do Rio de Janeiro (Funderj).

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De acordo com a denúncia, de janeiro de 2007 a setembro de 2014, foram realizados aportes em favor da organização criminosa de Cabral, no montante de R$ 18 milhões. Segundo o MPF, o presidente da Funderj, Henrique Ribeiro, se valia de seu cargo para gerenciar as propinas pagas pelas empresas contratadas.

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Segundo a denúncia, um assessor de Ribeiro recolhia o montante, retirava um percentual para ambos, e repassava para os operadores financeiros Carlos Miranda e Luiz Bezerra,. Os dois entregavam os recursos a Cabral. O MPF aponta que Ribeiro era pessoa de confiança do então governador e de seu secretário de Governo, Wilson Carlos, “tendo inclusive sido indicado para o cargo de presidente da Fundação por essa relação próxima com a organização criminosa”.

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Outro lado. O advogado Rodrigo Roca informou por nota que a defesa do ex-governador ingressará com novo pedido de suspeição de Bretas. Segundo o defensor, o magistrado pela primeira vez admitiu que condenará o ex-governador em todos os processos sob sua responsabilidade, ao dizer que ”Sérgio Cabral é o principal idealizador do audaz esquema de lavagem de dinheiro revelado nos presentes autos e nas demais ações penais em curso neste Juízo”.