Lava Jato acha US$ 4,26 mi em conta na Rússia de advogado de lobista do PMDB

Lava Jato acha US$ 4,26 mi em conta na Rússia de advogado de lobista do PMDB

Juiz Sérgio Moro autorizou, a pedido do Ministério Público Federal, quebra de sigilo fiscal e bancário de José Cláudio Marques Barboza Júnior, que defende João Augusto Henriques, preso na Operação Lava Jato desde setembro de 2015

Julia Affonso e Ricardo Brandt

06 de junho de 2017 | 11h15

João Augusto Rezende Henriques, apontado como operador do PMDB na Petrobrás Foto: PAULO LISBOA/BRAZIL PHOTO PRESS/

Quebra de sigilo fiscal e bancário do advogado José Cláudio Marques Barboza Júnior, que defende o operador de propinas do PMDB João Augusto Henriques, na Operação Lava Jato, encontrou US$ 4,26 milhões em conta mantida no Banco Sberbank Moscow, na Rússia. O valor foi repassado ao defensor pela conta da offshore Acona International, de João Henriques. A mesma conta do operador repassou propina de 1,3 milhão de francos suíços ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) sobre a compra do campo de Benin pela Petrobrás.

Segundo a juíza Gabriela Hardt, substituta de Moro, os ‘vultuosos valores’ encontrados na conta no país de Vladimir Putin não foram declarados à Receita Federal e ao Banco Central do Brasil.

O raio-X na conta do advogado do lobista identificou três depósitos originados na conta Acona em 2014: US$ 2,7 milhões em 22 de agosto e outros dois, um de US$ 800 mil e um de US$ 760 mil, em 29 do mesmo mês.

A quebra foi determinada pelo juiz federal Sérgio Moro, a pedido do Ministério Público Federal.

Ao autorizar a quebra de sigilo bancário, em junho do ano passado, Moro afirmou que ‘é possível que o pagamento no exterior seja de honorários advocatícios, mas também é possível que não e que, por conseguinte, tenha o advogado participado de lavagem de dinheiro ou repasse de propinas’.

“O valor pago é bastante significativo, mesmo para honorários advocatícios”, anotou o magistrado. “O pagamento foi ainda subreptício, com o emprego de conta off-shore não declarada por João Augusto Henriques Rezende e que foi também utilizada para intermediar repasses de propinas a agente político.”

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Segundo Moro, investigar o repasse de João Augusto Henriques ao advogado é necessário ‘para verificar se as referidas transferências foram ou não realizadas com causa lícita’.

“Às suspeitas das práticas de crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro somam-se possíveis crimes fiscais e de evasão de divisas”, observou o magistrado.

O Ministério Público Federal informou a Moro que ‘o pedido de cooperação jurídica remetido às autoridades russas ainda não retornou’. O advogado afirmou à Lava Jato que ‘houve bloqueio de sua conta bancária na Federação Russa’ por ordem de Moro.

Documento

João Augusto Henriques está preso em Curitiba desde setembro de 2015. Em 10 de janeiro deste ano, Luciana T. P. Rezende Henriques, mulher do operador de propinas do PMDB, visitou Eduardo Cunha na prisão.

Luciana e João foram sócios na empresa Trend Empreendimentos. Segundo a Lava Jato, a Trend recebeu pelo menos R$ 20,2 milhões de empresas do cartel que fatiava obras na Petrobrás, pagando propinas a agentes públicos, partidos e políticos.

COM A PALAVRA, JOSÉ CLÁUDIO MARQUES BARBOZA JÚNIOR

A reportagem fez contato com o escritório de José Cláudio Marques Barboza Júnior, no Rio, mas ninguém atendeu. O espaço está aberto para manifestação de Barboza Júnior.