Lava Jato 75 mira propinas em contratos de navios lançadores de linha da Petrobrás

Lava Jato 75 mira propinas em contratos de navios lançadores de linha da Petrobrás

Operação Boeman cumpre 25 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Sergipe e tem como base delação que revelou supostos crimes de corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro durante o processo bilionário de contratação pela Petrobrás do fornecimento de navios lançadores de linha 

Redação

23 de setembro de 2020 | 08h00

Atualizado às 18h43*

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal deflagrou nesta manhã desta quarta, 23, a 75ª fase da Operação Lava Jato, denominada Boeman, para aprofundar investigações sobre supostos crimes corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo contratos firmados por empresas do Grupo Seadrill com a Petrobrás para o fornecimento de três navios lançadores de linha (PLSV) – embarcações que lançam linhas flexíveis no mar para fazer a conexão entre plataformas a sistemas de produção. Os contratos de construção e o posterior uso em regime de afretamento por oito anos, vigentes até os dias atuais, totalizaram US$ 2,7 bilhões, indica o Ministério Público Federal.

Cerca de 50 agentes cumprem 25 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Sergipe. As ordens foram expedidas pelo juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba, que ainda decretou o bloqueio de valores dos investigados.

Segundo a Polícia Federal, a operação tem como base a delação de lobistas que atuavam junto a funcionários da Petrobrás e agentes políticos com influência na estatal.

Os procuradores da força-tarefa da Lava Jato apontaram que foram encontrados indícios de que a Sapura no Brasil – empresa do Grupo Seadrill que fechou contratos com a Diretoria de Exploração e Produção da Petrobrás em 2011 – contratou intermediários e operadores financeiros que, mediante o pagamento de propina de 1,5% do valor dos contratos, eram responsáveis por viabilizar a inclusão da empresa em licitação da estatal e obter informações privilegiadas de dentro da petroleira.

De acordo com o Ministério Público Federal, os valores repassados aos operadores financeiros circularam por offshores, sendo que foram identificadas contas controladas pelos investigados em, pelo menos, seis países diferentes.

Além disso, a Procuradoria identificou que os operadores financeiros envolvidos, após receberem seus pagamentos em contas no exterior, transferiram parte dos valores a dois altos executivos da Sapura, um então vinculado à Sapura no Brasil e outro à Sapura Energy, sediada na Malásia.  

Os investigadores suspeitam ainda que a atuação ilícita dos investigados tenha também outros contratos da Petrobrás, também em favor dos interesses do Grupo Seadrill. 

Segundo a Polícia Federal, em paralelo às apurações, os investigadores receberam informações de que autoridades holandesas também conduziam investigações relacionadas a ‘ilicitudes perpetradas para o fornecimento dos navios lançadores de linha (PLSV)’. O MPF indicou que as medidas executadas nesta manhã também se dão em cumprimento a pedidos de cooperação jurídica internacional.

As investigações tiveram como base a análise de documentos apreendidos em fases anteriores, extratos bancários de contas sediadas no exterior e trocas de e-mails entre os investigados, informou ainda a Procuradoria.

A ofensiva, de acordo com a PF, busca ‘fazer cessar a atividade delitiva, aprofundar o rastreamento dos recursos de origem criminosa (propina) e a conclusão da investigação policial em todas as suas circunstâncias, inclusive com autorização para compartilhamento dos seus resultados com as autoridades da Holanda’.

A corporação indicou que a investigação foi batizada de Boeman em referência ‘à criatura mítica da Holanda popularmente conhecida como “bicho-papão”’.

COM A PALAVRA, O GRUPO SEADRILL

A Seadrill Limited confirma que a Polícia Federal cumpriu hoje um mandado de busca e apreensão na sede de sua subsidiária Seadrill Serviços de Petroleo Ltda, como parte da mais recente fase da operação Lava Jato. A empresa está cooperando plenamente com as investigações em andamento.

COM A PALAVRA, A SAPURA

Os fatos noticiados são inverídicos e baseados apenas em alegações de delatores sem qualquer corroboração de provas. A Sapura, empresa da qual Mauricio Carvalho foi representante legal, é uma empresa idônea e amplamente capacitada a performar o contrato. A prova é que ele segue em plena vigência. A lisura e a competitividade do processo licitatório podem ser constatadas pela presença de mais de 12 empresas convidadas. Acrescente-se que os contratos foram celebrados pela Diretoria de Exploração e Produção da Petrobras, jamais envolvida na Operação Lava-Jato, e submetidos aos mais rigorosos procedimentos de fiscalização e compliance.

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