Lava Jato 70 volta às origens e mira corrupção de funcionários e intermediários em contratos de afretamento de R$ 6 bi da Petrobrás

Lava Jato 70 volta às origens e mira corrupção de funcionários e intermediários em contratos de afretamento de R$ 6 bi da Petrobrás

Polícia Federal suspeita que empresas tenham recebido informações privilegiadas sobre a programação de contratação de navios para transporte de petróleo e derivados; em troca, teriam pago propina a executivos ligados a Diretoria de Abastecimento e Logística da estatal petrolífera, onde teve início o grande esquema de corrupção desmantelado em 2014

Pepita Ortega e Fausto Macedo

18 de dezembro de 2019 | 08h18

Foto: Reprodução

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta, 18, a 70ª etapa da Lava Jato, a Óbolo, para investigar crimes de corrupção, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro relacionados a contratos de afretamento de navios celebrados pela Petrobrás, vinculados à Gerência Executiva de Logística da Diretoria de Abastecimento da estatal. A nova fase é continuidade de investigações que remontam ao início da operação, diz a PF.

Cerca de 50 agentes cumprem 12 mandados de busca e apreensão em São Paulo (1), no Rio de Janeiro (10) e em Niterói (1). As ordens foram expedidas pelo juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Segundo o Ministério Público Federal, os alvos das investigações são contratos de afretamentos firmados com o armador Maersk e contratos intermediados envolvendo os shipbrokers Tide Maritime e Ferchem. As empresas e seus representantes são alvos de buscas nesta manhã, além de ex-funcionários da Petrobrás.

A Procuradoria indicou ainda que as buscas pretendem investigar o fornecimento de informações privilegiadas que teriam concedido vantagens competitivas a empresas, tendo como contrapartida o pagamento de propina a funcionários da Petrobrás.

Os contratos investigados estão relacionados aos navios que a Petrobrás precisa ter à disposição navios para o transporte de petróleo e derivados. Para isso, o departamento logístico da estatal realiza o afretamento de navios por meio de negociações feitas por escritórios do Brasil e no exterior. Nos contratos de afretamento comumente são partes os armadores, que são os responsáveis pelas embarcações, e os shipbrokers, empresas que atuam como intermediárias (corretores) nas negociações com a Petrobras.

“Entre 2002 e 2012, a Maersk e suas subsidiárias celebraram 69 contratos de afretamento com a Petrobras, no valor aproximado de R$ 968 milhões. Já a Tide Maritime figurou em 87 contratos de afretamento marítimo celebrados com a estatal, entre 2005 e 2018, totalizando cerca de R$ 2,8 bilhões. Já a Ferchem, também shipbroker, intermediou ao menos 114 contratos de afretamento marítimo na Petrobras, num valor total superior a R$ 2,7 bilhões, entre 2005 e 2015”, aponta o MPF.

Somados, os valores dos contratos ultrapassam R$ 6 bilhões.

Segundo a PF, a suspeita de corrupção tem relação com valores supostamente recebidos pelos corretores intermediários dos negócios que, segundo a PF, ‘mesmo estabelecidos em uma pequena porcentagem dos contratos alcançam vultosas somas de dinheiro’.

A PF informou que o nome da operação, Obólo, faz referência à moeda que, na mitologia grega, era usada para remunerar o barqueiro Caronte, que conduzia as almas através do rio que separava o mundo dos vivos dos mortos.

COM A PALAVRA, A MAERSK

“Maersk confirma que a Polícia Federal esteve hoje em seus escritórios no Rio de Janeiro e em São Paulo, para averiguações. Por se tratar de uma investigação em andamento, a Maersk não irá fazer comentários. A Maersk informa ainda que está cooperando com as autoridades, e reitera que trabalha contra todos os tipos de ilegalidade.”

COM A PALAVRA, A TIDE MARITIME

A reportagem busca contato com a empresa. O espaço está aberto para manifestações.

COM A PALAVRA, A FERCHEM

A reportagem busca contato com a empresa. O espaço está aberto para manifestações.

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