Moro põe ‘Jabuti’ na cadeia

Moro põe ‘Jabuti’ na cadeia

Segundo o juiz da Lava Jato, há provas de que o ex-diretor de Novos Negócios da Petroquisa Djalma Rodrigues de Souza, que tem apelido na planilha de propinas da Odebrecht, recebeu propinas de R$ 17 milhões até março de 2017

Luiz Vassallo, Fausto Macedo, Ricardo Brandt e Julia Affonso

21 Junho 2018 | 10h54

O juiz federal Sérgio Moro autorizou, nesta quinta-feira, 21, a prisão do ex-diretor de Novos Negócios da Petroquisa Djalma Rodrigues de Souza, o ‘Jabuti’ – segundo registros do Setor de Operações Estruturadas de Propinas da Odebrecht. Ele já havia sido alvo da 46ª fase da operação, deflagrada em 20 de outubro de 2017, mas não chegou a ser preso em razão de uma cirurgia. Agora, no âmbito da Greenwich, 52ª fase da Lava Jato, foi autorizada sua prisão preventiva. De acordo com as investigações, o fato de ser investigado não teria o impedido de sumir com dinheiro supostamente desviado em contas no exterior. Além dele, também foi preso temporariamente o filho, Douglas Campos Pedroza de Souza.

Documento

Moro destaca haver prova ’em cognição sumária de que o acusado recebeu o equivalente a R$ 17,7 milhões em propinas no exterior’. “A propina foi paga pelo Grupo até 19/03/2017, ou seja, mesmo após o início da Operação Lavajato em 17/03/2017, o que revela ousadia criminosa”.

Segundo o juiz, ‘somente as duas contas em nome de off-shore na Suiça receberam cerca de cinco milhões de dólares, como confirmado pelas autoridades suíças’. “As autoridades suíças, porém, informaram que as contas foram encerradas. Os valores foram portanto dissipados pelo acusado durante as investigações, após terem se iniciado as investigações da Operação Lavajato”.

O magistrado conclui que ‘jabuti’, ‘diante dos avanços das investigações e que incluiu a extensa cooperação com a Suíça, movimentou os ativos para local ainda desconhecido, provavelmente para outros países, frustrando os direitos de sequestro e confisco da sociedade’. “Não se sabe se as outras contas, no Reino Unido ou nas Bahamas, também foram esvaziadas, mas o fato é que não estão bloqueadas”.

“A medida cautelar anteriormente imposta em substituição à prisão temporária, de proibição de deixar o país, não impede de fato a fuga, considerando a extensão das fronteiras e a aparente fortuna mantida pelo acusado no exterior. Em nada afeta ainda a capacidade do acusado de prosseguir na dissipação dos ativos criminosos”, anotou.

Além da prisão do ex-diretor da Petroquisa, o magistrado autorizou busca e apreensão em endereços de seus familiares e empresas.

Denúncia. A força-tarefa da Operação Lava Jato já denunciou ‘Jabuti’ e outros três ex-gerentes da Petrobrás por supostas propinas de R$ 32 milhões. Essas vantagens indevidas, segundo a Procuradoria, ‘relacionam-se com contratos firmados pela empreiteira, ainda em 2010, para realização de obras do Complexo Petroquímico Suape, em Pernambuco’.

COM A PALAVRA, A ODEBRECHT

As investigações que resultaram na 52ª fase da Operação Lava Jato têm origem em informações fornecidas na colaboração da Odebrecht e de seus ex-executivos. A empresa assinou Acordo de Leniência com o Brasil, Estados Unidos, Suíça, República Dominicana, Equador, Panamá e Guatemala. Implantou um sistema para prevenir, detectar e punir desvios ou crimes. E adotou modelo de gestão que valoriza não só a produtividade e a eficiência, mas também a ética, a integridade e a transparência.