Lava Jato, 5, já condenou 155 a 2.242 anos de prisão

Lava Jato, 5, já condenou 155 a 2.242 anos de prisão

Prestes a completar cinco anos de ação, força-tarefa do Ministério Público Federal no Paraná denunciou 426 investigados; última acusação, protocolada no dia 1.º de março, refere-se ao suposto pagamento de propinas no âmbito da Transpetro

Redação

07 de março de 2019 | 15h22

FOTO: FÁBIO MOTTA/ESTADÃO

Perto de completar cinco anos de investigação, no próximo dia 17, a força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná já denunciou 426 investigados. Desde março de 2014, quando a Lava Jato saiu às ruas pela primeira vez – até aqui, 60 operações deflagradas -, os procuradores da força-tarefa no Paraná levaram à Justiça Federal 91 denúncias contra 426 executivos, doleiros, empreiteiros, políticos e ex-dirigentes da Petrobrás.

Ao todo, já foram aplicadas 50 sentenças , com 242 condenações de 155 acusados.

O total de penas chega a 2.242 anos e 5 dias.

Os últimos denunciados foram Antonio Kanji Hoshikawa, Elio Cherubini Bergemann, José Sérgio de Oliveira Machado, Mauro de Morais e Wilson Quintella Filho pelos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. A acusação foi protocolada junto à 13.ª Vara Federal de Curitiba na última sexta, dia 1.ºde março.

As primeiras acusações foram feitas já em abril de 2014.

Entre os crimes pelos quais os denunciados tornaram-se réus, estão lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, fraude à licitação, organização criminosa, evasão de divisas, lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas, crime contra a ordem econômica, embaraço à investigação de organização criminosa e falsidade ideológica.

A última denúncia aponta que Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, subsidiária da Petrobrás, ‘ajustou com Wilson Quintella, então diretor-presidente do Grupo Estre, o pagamento de propinas em porcentual entre 3% a 4% do valor original dos contratos firmados com as empresas do Grupo na área de serviços (Estre Ambiental S/A e Pollydutos Montagem), e de 1% a 1,5% na parte de navios (Estaleiro Rio Tietê LTDA)’.

Os pagamentos, segundo a Lava Jato, ocorreram entre os anos de 2008 e 2014, e totalizaram mais de R$ 21 milhões.
A Procuradoria sustenta que as promessas e pagamentos de propina deram-se no âmbito de cinco contratos celebrados entre a empresa Estre Ambiental S/A e a Transpetro, no período compreendido entre 2008 e 2013 que, somados, alcançam o montante de R$ 282.924.361,91; em 16 contratos firmados entre a Pollydutos Montagem e Produção LTDA. e a subsidiária petrolífera no valor de R$ 279.784.240,79 entre 2008 e 2014; e na celebração de 20 contratos firmados entre a empresa Estaleiro Rio Tietê LTDA., no ano de 2010, na importância de R$ 428.268.822,10.

“Os acertos ocorriam para que Machado auxiliasse o Grupo Estre e também se abstivesse de praticar atos de ofício que viessem contra os interesses das empresas do Grupo.”

Segundo a Procuradora da República Juliana Câmara, ‘chama a atenção o entranhamento da corrupção no âmbito da Transpetro, onde o pagamento de suborno era de tal forma institucionalizado a ponto de ser tratado em reuniões ordinárias mantidas entre Wilson Quintella e Sérgio Machado na presidência da subsidiária da Petrobrás’.

“É lamentável que o desvio do dinheiro relativo a mais de quatro dezenas de contratos tenha servido para alimentar agentes políticos ligados ao PMDB em troca de apoio para manter Sérgio Machado no comando da estatal.”

Mais conteúdo sobre:

operação Lava JatoPetrobrás