Laurence aposta em manifestação da PF sobre desnecessidade de prisão

Laurence aposta em manifestação da PF sobre desnecessidade de prisão

Defesa do ex-presidente da Dersa e ex-secretário de Logística e Transportes do Estado, preso desde 21 de junho na Operação Pedra no Caminho, juntou em pedido de habeas no Superior Tribunal de Justiça documento pela soltura dos alvos, assinado pelo delegado que investiga supostos desvios no Trecho Norte do Rodoanel

Fabio Serapião e Fausto Macedo

09 de agosto de 2018 | 13h17

O delegado de Polícia Federal João Luiz Moraes Rosa, responsável pela investigação sobre supostos desvios no trecho Norte do Rodoanel, manifestou-se pela soltura de todos os investigados no mesmo dia em que o Ministério Público Federal pediu a decretação de prisão preventiva do ex-diretor de Engenharia da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa) Pedro da Silva e de Laurence Casagrande Lourenço, ex-presidente da empresa e ex-secretário de Logística e Transportes do governo Alckmin.

Ao Superior Tribunal de Justiça, onde tenta por meio de habeas corpus, a revogação do decreto de preventiva contra Laurence, a defesa juntou o documento da PF para reforçar a tese da desnecessidade da prisão.

Laurence está preso desde 21 de junho, primeiro em regime temporário, depois preventivamente, modelo de custódia que não tem prazo para expirar.

A juíza federal Maria Isabel do Prado, da 5.ª Vara Criminal em São Paulo, titular da Operação Pedra no Caminho cita o posicionamento da PF na decisão em que sacramentou a preventiva dos investigados.

No caso de Laurence, a juíza aceitou os argumentos do Ministério Público Federal sustentados em e-mails encontrados pela PF em que o ex-secretário pede para uma funcionária ‘destruir’ documentos de uma reunião.

O criminalista Eduardo Carnelós, que defende Laurence, informou que os documentos são antigos e não têm nenhuma relação com a investigação sobre supostos desvios no Trecho Norte do Rodoanel. Carnelós destaca que a destruição de documentos da Dersa obedece a uma norma interna que prevê a eliminação de documentos de cunho administrativo ‘inservíveis’.

Após apreender os e-mails e ouvir os envolvidos, o delegado João Luiz Moraes Rosa entendeu por não solicitar a transformação da temporária em preventiva.

“Decorridos 9 (nove) dias desde a deflagração da Operação Policial, reputo ultimadas todas as diligências mais sensíveis e para as quais se mostrava imprescindível a custódia cautelar dos investigados, não havendo mais interesse deste signatário na manutenção da medida. Portanto, como o prazo de vencimento das prisões temporárias esgota-se no próximo dia 30/6/2018 e considerando circunstância ora informada, é o presente para submeter à apreciação de Vossa Excelência a continuidade da custódia cautelar dos investigados”, diz o ofício encaminhado à juíza pelo delegado.

No ofício, Moraes Rosa afirma também que nos dias seguintes à deflagração da operação, em 21 de junho, foram realizadas diversas diligências que resultaram em cerca de 1,1 mil folhas juntadas ao inquérito policial.

O advogado Eduardo Carnelós se vale da posição da PF no pedido ao Superior Tribunal de Justiça em que tentar livrar Laurence Casagrande da preventiva.

Para o defensor, o MPF pediu a preventiva com base no termo de entrevista de uma funcionária da Dersa tomado por um agente no dia da realização das busca e apreensão pela Operação Pedra no Caminho.

A versão dada no dia da operação sobre o pedido de triturar documentos, diz Carnelós, foi explicada em depoimento posterior da funcionária.

Em seu pedido, o advogado anexa informação da Dersa de que faz parte das normas internas da estatal e do Código de Ética da companhia o descarte de documentos somente depois de triturados.

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