Laudo médico sugere manter empresária presa na Zelotes em regime fechado

Laudo médico sugere manter empresária presa na Zelotes em regime fechado

Peritos dizem que queixas de Cristina Mautoni não correspondem ao seu estado clínico. Embora tenha feito “careta”, exame não demonstrou dificuldade para fazer força com as pernas

Fábio Fabrini e Fausto Macedo

16 Fevereiro 2016 | 19h29

laudo

Laudo médico feito a pedido da Justiça Federal diz que a empresária Cristina Mautoni, presa na Operação Zelotes sob a acusação de “comprar” medidas provisórias no governo, tem condições de continuar em regime fechado e não precisa ser transferida para a prisão domiciliar.

A informação consta da análise feita por dois peritos, nomeados pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília. A defesa da empresária havia solicitado a transferência para o regime domiciliar, justificando que ela não tem condições de saúde para permanecer numa unidade prisional, pois sofre com dores constantes e tem dificuldades de andar, em função de um problema vascular nas pernas.

Com base no laudo, o juiz decidirá se mantém Cristina na carceragem da Polícia Federal, em Brasília, ou se autoriza que ela fique em casa, em São Paulo. O juiz abriu prazo de cinco dias para que a defesa e o Ministério Público Federal (MPF) se manifestem sobre o documento. Só depois disso, deve tomar uma decisão.

No documento, os médicos sustentam que as queixas da empresária não correspondem ao seu estado clínico. “Ao comando de fazer força com a perna contra a mão do examinador, afirmava que não conseguia porque as pernas estavam adormecidas. Fazia expressão facial com ‘careta’ demonstrando emprego de força, mas não havia contração muscular. O que torna incompatível a afirmação com a ação”, afirma um trecho do laudo.

Durante a avaliação, Cristina afirmou não conseguir ficar ereta, manter-se de pé e andar (mesmo com ajuda) até a cadeira de rodas. “Não há lesão neurológica, não há déficit motor ou neurológico, não há hipotonia (diminuição do tônus muscular) e não há comprometimento de movimentos que justifiquem a queixa da pericianda ou a sua suposta incapacidade de deambular (caminhar)”, argumentaram os peritos.

Cristina é mulher do lobista Mauro Marcondes Machado, também preso por envolvimento no suposto esquema de “compra” das normas, que concederam incentivos fiscais para montadoras de veículos. O caso, investigado na Zelotes, foi revelado pelo Estado em outubro. Os dois respondem a ação penal em curso na 10ª Vara.

A prisão de Cristina é considerada um elemento que pode influenciar o casal a fazer delação premiada. Mauro completa 80 anos em abril e deve se valer de benefício que permite, nessa idade, passar ao regime domiciliar. A mulher dele, no entanto, é mais jovem e não conta com essa possibilidade. Uma eventual colaboração pode ser decisiva para tirá-la da cadeia.

Cristina está presa numa sala especial na Superintendência da PF em Brasília, a mesma em que ficou o senador Delcídio Amaral (PT-MS), preso na Lava Jato. Ela tem se apresentado em audiências na Justiça de cadeira de rodas.

A empresária fez uma cirurgia vascular nas pernas em outubro. Por isso, inicialmente, ficou em prisão domiciliar para se recuperar. Porém, em janeiro, um laudo médico solicitado pela PF e o MPF considerou que ela tinha condições de passar ao regime fechado, o que foi autorizado pela Justiça. Desde então, a permanência na carceragem da PF vem sendo questionada pela defesa.