Laranja de Youssef diz que mandou dinheiro de empreiteira para o exterior

Leonardo Meirelles afirmou que fez remessas para Engevix, suspeita de integrar cartel na Petrobrás

Redação

03 Fevereiro 2015 | 22h12

Por Julia Affonso, Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Fausto Macedo

O doleiro Leonardo Meirelles, suposto laranja do doleiro Alberto Youssef, alvo principal da Operação Lava Jato, afirmou à Justiça Federal nesta terça-feira, 3, que mandou recursos da empreiteira Engevix para o exterior. Meirelles é réu em ações penais da Lava Jato e prestou depoimento no Paraná.

Ao ser questionado pela Procuradoria da República, se enviava dinheiro da empreiteira para fora do País, o empresário foi incisivo. “Sim”. Para mandar as quantias para o exterior, Meirelles contou que fazia contratos fictícios de importações. Ele disse ainda que recebia 1% de comissão sobre o valor bruto de cada transação, mas não especificou a quantidade de dinheiro que ganhou ou mandou para fora.

“Diretamente, eu sei que o recurso advinha de empreiteiras, porque era me avisado anteriormente, pelo Waldomiro (de Oliveira, operador do doleiro), no primeiro momento, e depois através do seu Alberto Youssef, que me direcionavam que haveria valores a serem feitos, emissão de notas fiscais e que advinham de construtoras e que viria para minha conta. Eles me avisavam com antecedência para que eu tomasse as medidas cabíveis”, explicou.

Segundo Meirelles, em 2012, o Banco Central procurou o Banco Bradesco para saber a origem dos valores e volumes das quantias movimentadas por ele. O empresário contou que recebeu contratos da MO Consultoria, empresa de fachada que pertenceria a Youssef, com as empreiteiras, para levar ao banco e justificar as movimentações.

“Nessa ocasião, eu pedi ao Waldomiro e ele me forneceu esses contratos. Não tinha só da Engevix, tinha de outras empresas, do período da entrada dos recursos, e eu apresentei ao banco”, afirmou.

A audiência de Meirelles foi conturbada. Na metade do depoimento do doleiro, o advogado de Youssef, Antônio Figueiredo Basto, perguntou como era feita a remessa de dinheiro para o exterior. A defesa de Meirelles interrompeu, o que deixou Basto muito irado.

A defesa da Engevix nega envolvimento da empreiteira com o cartel na Petrobrás e remessas ilícitas para o exterior.

VEJA O DEPOIMENTO DO DOLEIRO NA ÍNTEGRA

 

Mais conteúdo sobre:

Engevixoperação Lava Jato