Lamentavelmente, Lula se corrompeu, diz procurador em julgamento

Lamentavelmente, Lula se corrompeu, diz procurador em julgamento

Em fala, Mauricio Gerum aponta que ‘promiscuidade’ entre políticos e empresários ‘nunca é inocente’

Ricardo Brandt, enviado especial a Porto Alegre, Julia Affonso, Luiz Vassallo e Fausto Macedo

24 Janeiro 2018 | 09h56

Mauricio Gerum. Foto: TRF4

O procurador da República da 4.ª Região Mauricio Gotardo Gerum afirmou nesta quarta-feira, 24, que ‘lamentavelmente, Lula se corrompeu’. O investigador falou durante cerca de 20 minutos no julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro e outros cinco réus pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4).

O petista foi condenado a nove anos e seis meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no caso tríplex. A sentença do juiz federal Sérgio Moro está sendo analisada pelo Tribunal da Lava Jato.

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Em sua fala, Mauricio Gerum afirmou que a ‘promiscuidade’ entre o mundo político e o mundo empresarial ‘nunca é inocente’.

“Essa promiscuidade entre o mundo político e o mundo empresarial é rechaçada na maior parte dos países porque nunca é inocente. No Brasil, uma cultura retrógrada, contaminada por séculos de compadrio entre o poder econômico e o poder político torna aceitável essa intimidade absolutamente artificial, porque baseada apenas no toma lá dá cá”, afirmou.

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O Ministério Público Federal, no Paraná, sustenta que a empreiteira pagou propina de R$ 3,7 milhões ao PT e ao ex-presidente, por meio do apartamento triplex do Guarujá e do depósito do acervo presidencial. Lula foi absolvido por Moro do crime de lavagem de dinheiro ligado a suas ‘tralhas’ – como o próprio ex-presidente chamou as lembranças e os mimos que ganhou durante os oito anos em que ocupou o Palácio do Planalto.

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Mauricio Gerum disse que ‘causa estranheza que o presidente de uma das maiores empreiteiras do País (Léo Pinheiro) faça as vezes de mestre de cerimônia ou, segundo a tese da defesa, de corretor de imóveis na apresentação de um apartamento a um ex-presidente da República’.

“A história desse processo começa em 1.º de abril de 2005 quando Marisa Letícia, falecida esposa do ex-presidente Lula, adquiriu junto à Bancoop um apartamento no Residencial Mar Cantábrico, no Guarujá. Mas era um apartamento ou eram cotas? Os documentos apreendidos falam em momento algum em cotas sempre em um imóvel Que imóvel seria esse? Na residência do ex-presidente Lula foram apreendidos dois contratos: um assinado e outro não. O assinado dizia respeito à unidade 141, o não-assinado mencionava a unidade 174, então, duplex que com a transferência do empreendimento à OAS passou a ser o tríplex que é o objeto deste processo”, relatou.

“No começo de 2014, o ex-presidente Lula e sua esposa se encontram com o presidente da OAS no tríplex 164 no condomínio Solaris, no Guarujá. Em agosto de 2014, uma nova visita ao apartamento é feita, desta vez apenas Marisa Letícia e o filho do casal Fabio são acompanhados pelo presidente da OAS. A partir da primeira visita, diversas reformas são feitas, uma cozinha instalada e alguns eletrodomésticos são adquiridos em um valor que se aproximou a R$ 1,3 milhão.”

Mauricio Gerum citou ainda notas fiscais e mensagens apreendidas em celulares de executivos da OAS.

“Quanto a esses encontros e a customização do apartamento não há dúvida probatória. Inúmeras notas fiscais, depoimentos dos funcionários envolvidos com as reformas e mensagens trocadas no celulares apreendidos dos executivos da OAS demonstram que o imóvel estava sendo preparado pela OAS para entrega à família do ex-presidente Lula”, disse.

O procurador afirmou que ‘a defesa (de Lula) não conseguiu apresentar qualquer elemento consistente que afastasse esse conjunto probatório’.

“Embora a defesa insista no ato de ofício para configuração do crime de corrupção, vale lembrar que essa questão já foi superada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Mensalão”, declarou.

O Procurador ainda diz que ‘o parecia ser construção de governabilidade era na verdade criação de mecanismo de dilapidação dos cofres da Petrobrás’.

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