‘Kibe’

‘Kibe’

Acusado de improbidade administrativa por suposto recebimento de R$ 21,5 milhões da Odebrecht, entre 2008 e 2015, o ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab (PSD), é o 'kibe' e o 'chefe turco' nas planilhas de propinas da empreiteira

Luiz Vassallo

20 de dezembro de 2017 | 05h37

*Atualizado às 14h46

Acusado de improbidade administrativa pela Promotoria do Patrimônio Público e Social de São Paulo, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Gilberto Kassab (PSD) é o ‘kibe’ e o ‘turco’ nas planilhas da Odebrecht. A ação do Ministério Público Estadual pede perda de mandato, suspensão dos direitos políticos por até 8 anos e cobra R$ 85 milhões – valor correspondente aos R$ 21,25 milhões que os ex-prefeito teria recebido acrescido de três vezes a título de multa.

Nas planilhas da empreiteira, o ‘Kibe’, codinome atribuído a Kassab na campanha à Prefeitura de São Paulo, em 2008, é destinatário de R$ 3,4 milhões. Já os outros pagamentos, no valor de R$ 17,9 milhões constam como ‘Chefe Turco’ e ‘Projeto’. Os dados constavam no Drousys, sistema de controle do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, conhecido como departamento de propinas.

Entre as irregularidades que teriam gerado vantagens indevidas estão a construção de um túnel na Avenida Roberto Marinho, Zona Sul de São Paulo. A via também é abrangida em acordo de leniência entre a empreiteira e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

Gilberto Kassab foi delatado pelos executivos Benedicto Júnior e Paulo Cesena, da Odebrecht. Segundo os delatores, entre 2008 e 2014, houve pagamentos de vantagens indevidas para o ministro do Governo Michel Temer, em montante superior a R$ 20 milhões. Os repasses teriam como objetivo ‘obter vantagens’ de Kassab na condição de prefeito de São Paulo e, depois, de Ministro das Cidades do Governo Dilma Rousseff.

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Benedicto Júnior, o BJ, relatou que os valores foram solicitados diretamente por Kassab. Em 2008, afirmou o executivo, ele teria sido convidado para um café com Kassab, na casa do ministro, ‘oportunidade em que lhe foi solicitado o valor aproximado de R$ 3,4 milhões a pretexto de contribuição para campanha’. O delator declarou que os valores foram pagos de maneira ilícita, sem registro eleitoral, com ciência pessoal de Kassab, entre janeiro e junho de 2008.

Em 2013, ao criar o PSD, Gilberto Kassab pediu, segundo o executivo da Odebrecht, ‘repasses financeiros mais urna vez a pretexto das campanhas de 2014 e para a criação do novo partido’. Aproximadamente, R$ 17,9 milhões, entre novembro de 2013 e setembro de 2014, foram pagos ‘de maneira ilícita, sem registros oficiais’.

BJ e Paulo Cesena relataram que esses últimos valores foram alocados, ‘para efeitos gerenciais’, na Odebrecht Transport, que mantinha contratos com a prefeitura de São Paulo em temas relacionados à mobilidade urbana. Segundo Paulo Cesena, , com a ida de Gilberto Kassab para o Ministério das Cidades, em 2015, a Odebrecht foi beneficiada diretamente por intervenções políticas da Pasta.

O delator citou como exemplo as “debentures de infraestrutura”, relacionadas à linha 6, solicitação feita perante o Ministério das Cidades. Houve também, ainda segundo Paulo Cesena, um pedido de crédito no programa Pró-Transporte, que foi deferido.

COM A PALAVRA, KASSAB

A defesa do ministro Gilberto Kassab recebe com estranhamento o ajuizamento de ação às vésperas de recesso judicial.

Todavia, aguarda com serenidade os argumentos utilizados pelo Ministério Público para demonstrar a legalidade de todos os atos de sua gestão, como tem acontecido em outras situações.

 

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