Kassab reage e diz que suas empresas prestaram serviços à JBS

Kassab reage e diz que suas empresas prestaram serviços à JBS

Ex-ministro da Ciência e chefe afastado da Casa Civil de Doria argumenta que relatório da Polícia Federal 'é conclusivo ao afirmar que contratos da JBS com a Yapê Transportes, pertencente à sua família, para o arrendamento de caminhões, não identificou 'controvérsia do ponto de vista probatório'

Luiz Vassallo e Fabio Leite

04 de janeiro de 2019 | 18h39

Gilberto Kassab. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

O chefe da Casa Civil afastado do governo João Doria (PSDB), Gilberto Kassab (PSD), afirmou, nesta sexta-feira, 4, que há provas de que suas empresas prestaram serviços à JBS. O Estado revelou que a Polícia Federal identificou pagamentos de R$ 23,1 milhões da holding para consultorias e transportadoras do ex-ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Nomeado secretário-chefe da Casa Civil pelo governador paulista João Doria (PSDB), Kassab se licenciou oficialmente do cargo nesta sexta-feira, 4, para se dedicar à defesa das acusações.

Em acordo de delação premiada, o empresário Wesley Batista afirmou que Kassab recebeu uma mesada de R$ 350 mil da empresa entre 2010 e 2016, totalizando R$ 30 milhões, ’em troca de eventual influência política futura em demandas de interesse da JBS’.

Já o executivo Ricardo Saud disse que a empresa repassou outros R$ 28 milhões ao PSD pela compra de apoio político acertada com o PT.

O ex-ministro ressalta que o relatório da Polícia Federal sobre suas transações financeiras é ‘conclusivo’ ao afirmar que contratos da JBS com a Yapê Transportes, pertencente à sua família, para o arrendamento de caminhões, não identificou ‘controvérsia do ponto de vista probatório, visto que, em relação ao mesmo, segundo o colaborador, teria havido contraprestação efetiva a todos os pagamentos realizados e que os valores eram compatíveis com o preço de mercado’.

A informação consta no relatório da Polícia Federal.

Por meio de sua assessoria, Kassab pontua. “Sobre as consultorias, a partir das provas apresentadas, o relatório afirma (página 265): “Em relação a essa primeira situação, embora considerando-se a apresentação parcial dos documentos comprobatórios dos pagamentos realizados pela JBS, relativos ao período de agosto de 2013 até julho de 2016, ainda pairam sérias dúvidas quanto a veracidade das informações fornecidas pelo colaborador, principalmente quando se leva em conta as manifestações escritas apresentadas” pela defesa, “com os indicativos de provas nelas apontados. Em suas versões acerca dos fatos investigados, os citados, além de afirmarem ter havido efetiva contraprestação de serviços aos pagamentos realizados pela JBS, apontam elementos concretos de convicção que corroboram suas alegações, tais como comprovantes de troca de e-mails com funcionários da JBS e plano de trabalho que teria sido executado.”

Kassab ainda afirma ser ‘importante destacar que Wesley Batista, depois de afirmar inicialmente em depoimento que esses contratos de consultoria eram fictícios, de notas frias para pagamento de ‘over price’, admitiu em adendo, por escrito, ao depoimento prestado em 20 de março de 2018 (página 292 do volume 1), que ‘A documentação que daria suporte a tais pagamentos, e que pretendiam legitimar prestação de serviço inexistente, se encontram na empresa JBS, e estão acondicionadas em aproximadamente vinte caixas, conforme fotografias ora anexadas”‘.

“O relatório prossegue (página 265): “Registre-se ainda em corroboração ao alegado pelos mesmos, o depoimento da secretária de Wesley, Erika Henna, às fls. ‘327/328, e o extrato de conversa via aplicativo de mensagens apresentado, pela mesma, juntado às fls. 329/332. Tanto na sua fala quanto na conversa mencionada, despontam fortes indicativos no sentido de que um dos sócios da Yapê estava de fato ministrando treinamento naquela empresa, entre os anos de 2015 e 2016.””, afirma Kassab.
O ministro reafirma ‘que as empresas prestaram os serviços, a preços de mercado, que estão documentados de forma robusta e consistente, em relação comercial iniciada ainda com empresa que foi posteriormente adquirida pela JBS’.

A assessoria do ex-ministro é taxativa. “Tais informações já foram apresentadas à investigação. Kassab reitera sua confiança na Justiça brasileira, no Ministério Público e na imprensa, e entende que quem está na vida pública deve estar sujeito à especial atenção do Judiciário. Reforça estar à disposição para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários e ressalta, mais uma vez, que todos os seus atos seguiram a legislação e foram pautados pelo interesse público.”