Kakay diz que ‘método’ de Sérgio Machado foi o mesmo de Delcídio

Kakay diz que ‘método’ de Sérgio Machado foi o mesmo de Delcídio

Criminalista que defende o senador Romero Jucá e o ex-presidente José Sarney sugere investigação contra ex-presidente da Transpetro que, para obter benefícios da delação premiada, gravou conversas com os caciques do PMDB

Luiz Vassallo

22 de julho de 2017 | 05h00

Antonio Carlos de Almeida Castro Kakay. FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADÃO

O advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro Kakay disse que o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado – delator de caciques do PMDB por suposta trama contra a Lava Jato – usou ‘o mesmo método’ empregado pelo ex-senador Delcídio Amaral (ex-PT/MS), que envolveu o nome do ex-presidente Lula em articulação com o Senado para embaraçar as investigações.

Nesta sexta-feira, 21, a Polícia Federal concluiu o inquérito aberto com base na delação de Machado, que gravou conversas com os senadores peemedebistas Romero Jucá (RR) e Renan Calheiros (AL) e com o ex-presidente José Sarney (AP). Os áudios mostram suposta disposição dos cardeais do PMDB em travar a Lava Jato.

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A PF pediu arquivamento da investigação sob alegação de que os políticos não obstruíram a investigação. A PF considera que Sérgio Machado não merece os benefícios da delação premiada.

“A conclusão da Polícia Federal traz um alerta importante”, avalia Kakay, que representa Jucá e Sarney. “Recentemente, o procurador da República em Brasília Ivan Cláudio Marx pediu arquivamento de investigação contra o ex-presidente Lula sob alegação de que o Delcídio usou o nome do Lula para conseguir benefício maior. Ou seja, não havia nenhum indício.”

Para Kakay, um experiente criminalista com atuação destacada nos tribunais superiores, o caso do ex-presidente da Transpetro segue a mesma linha do caso Delcídio/Lula. “É a mesma coisa. Sérgio Machado não tinha relação maior com Sarney, nunca fez qualaquer negócio com Sarney nem com Jucá, nem com o então presidente do Senado (Renan). Mas, sabendo que tinha sido descoberto em uma série de falcatruas fez gravações ilegais e imorais.”

O advogado é enfático. “Para conseguir se safar, ele (Machado) sabia que tinha que entregar alguém poderoso. Então, ele busca um ex-presidente da República (Sarney), com quem não tinha nenhuma ligação. Provoca alguns assuntos para levar a uma hipotética obstrução da Lava Jato.”

Amparada na delação do ex-presidente da Transpetro, a Procuradoria-Geral da República chegou a requerer ao Supremo Tribunal Federal a prisão de Jucá, Renan e Sarney. O pedido foi negado.

“Isso é extremamente grave”, alerta Kakay. “Acho importante que o Ministério Público Federal faça investigação se tem algum agente público por trás dessas gravações (realizadas por Machado). O método de agir de Delcídio, apontado pelo procurador Marx, é o mesmo método de agir do Sérgio Machado. Sabendo que não tinha nada contra o presidente Sarney, nada contra o ministro Jucá, nada contra o presidente do Senado, faz gravações para tentar colocar palavras na boca do outro, criminosamente.”

Kakay está convencido que o ex-dirigente da Transpetro ‘sabendo que se levasse dois ou três nomes poderosos poderia se safar e conseguir a delação premiada’.

“Penso que a delação (de Sérgio Machado) não vai dar certo, a análise técnica da Polícia Federal e, agora, espera-se, do Ministério Público Federal, vai demonstrar que não houve qualquer tentativa de obstrução da Lava Jato”, ressalta o advogado.

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