Justiça vê ‘grande poder de decisão e comando’ e manda transferir líderes do PCC para presídios federais

Justiça vê ‘grande poder de decisão e comando’ e manda transferir líderes do PCC para presídios federais

Leia a decisão do juiz Leandro Leite Carvalho Campos, de Curitiba, que deflagrou a Operação Cravada, prendeu 28 agentes da facção e confiscou 418 contas por onde circulavam até R$ 1 milhão por mês

Pepita Ortega

06 de agosto de 2019 | 16h03

A Polícia Federal deflagrou nesta terça, 6, a Operação Cravada para desarticular núcleo do Primeiro Comando da Capital (PCC) responsável por recolher e gerenciar as contribuições para a organização em âmbito nacional. A ação foi determinada pelo juízo da Vara Criminal de Piraquara, no Paraná, que viu ainda ‘relevante função’ e ‘grande poder de decisão e comando’ de treze pessoas na organização, determinando a inclusão emergencial dos mesmos no Sistema Penitenciário Federal.

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Até o momento, a PF fez 28 prisões – oito delas em presídios e duas em flagrante, durante a realização de buscas. Cerca de 180 Policiais Federais cumprem nesta terça, 6, 85 mandados – 55 de busca e apreensão e 30 de prisão – em sete estados – São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Acre, Roraima, Pernambuco e Minas Gerais.

Das 30 ordens de prisão, oito são cumpridas em presídios – três em São Paulo, um no Mato Grosso do Sul e quatro no Paraná.

Ao determinar a expedição dos mandados de prisão, o juízo considerou quatro fatos constatados pela investigação. O primeiro deles indica que os investigados ‘integram organização criminosa, considerando que há associação de 95 pessoas, a fim de se obter lucro, mediante a prática de infrações penais, principalmente, o tráfico de drogas‘.

A decisão destaca ainda a prisão em flagrante de três supostos membros da facção por tráfico de drogas, realizadas em dois momentos – durante a apreensão de 332,1 quilos de substância entorpecente análoga à maconha, na cidade de Itapecerica da Serra, e durante abordagem policial realizada em Curitiba.

Já a quarta infração penal investigada diz respeito à associação ao tráfico. Segundo a PF, a organização conta com ‘departamentos específicos para a gerência e coordenação do tráfico de drogas, como, por exemplo, o ‘Setor das Lojas’, ‘Setor da 100%’, ‘Setor do BOB’, ‘Setor do Óleo’, bem como os ‘Setores da Financeira’ e da ‘Rifa’, estes dois últimos responsáveis pelos lucros auferidos da prática criminosa.’

A investigação teve início, de acordo com a Polícia Federal, em fevereiro deste ano, com base em informações sobre a existência de um núcleo financeiro da facção criminosa na Penitenciária Estadual de Piraquara, no Paraná.

O esquema consistia na arrecadação de valores de membros, chamados de ‘rifas’, que eram repassados aos líderes da organização por meio de diferentes contas bancárias, indicou a PF.

A investigação indica que cerca de R$ 1 milhão circulava nas contas ligadas à facção por mês.

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