Justiça vê dúvidas sobre ‘integridade mental’ de procurador da Fazenda que esfaqueou juíza

Justiça vê dúvidas sobre ‘integridade mental’ de procurador da Fazenda que esfaqueou juíza

Andréia Moruzzi, da 1.ª Vara Federal Criminal de São Paulo, decide por instauração de 'incidente de insanidade mental' para averiguar grau de discernimento de Matheus Carneiro Assunção, que esfaqueou Louise Filgueiras na sede do TRF-3, no final da tarde de quinta, 3

Paulo Roberto Netto, Pedro Prata e Fausto Macedo

04 de outubro de 2019 | 19h11

A juíza Louise Filgueiras e o procurador Matheus Carneiro Assunção. Fotos: Ascom/TRF3 e Divulgação

A juíza Andréia Moruzzi, da 1.ª Vara Federal Criminal de São Paulo, apontou dúvidas sobre a ‘integridade mental’ do procurador da Fazenda Matheus Carneiro Assunção, 35 anos, preso nesta quinta, 3, após tentar matar a golpes de faca a juíza federal Louise Filgueiras, na sede do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região, na Avenida Paulista. Andréia converteu a prisão em flagrante do procurador – autuado na Polícia Federal por tentativa de homicídio – em prisão preventiva e determinou a instauração de um incidente de insanidade mental do agressor.

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Depois do ataque à juíza, o procurador tentou se matar. A juíza da 1.ª Vara Federal, que o ouviu em audiência de custódia nesta sexta, 4, considerou que a tentativa de suicídio e as manifestações, tanto da defesa quanto da Polícia Federal, apresentam ‘elementos que trazem dúvida acerca da integridade mental’ de Assunção.

“Mostra-se necessária, portanto, o deferimento do pedido no sentido da instauração de incidente de insanidade mental para verificar o grau de discernimento na data dos fatos”, determinou a magistrada.

TRF-3, na Avenida Paulista. Foto: Google Street View

A juíza também determinou que, diante do ‘risco significativo’ de que Assunção cometa suicídio, o procurador deve ser removido para o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico “Dr. Arnaldo Amado Ferreira”, em Taubaté.

Assunção atacou a juíza federal Louise Filgueira com uma faca, golpeando-a no pescoço. A magistrada sofreu ferimentos leves. O procurador também jogou uma jarra de vidro contra a magistrada. Ele foi imobilizado por servidores do TRF-3. A Polícia Federal foi acionada e prendeu Assunção em flagrante. A juíza Louise substituía o desembargador federal Paulo Fontes, ocupando o gabinete do 21.º andar do TRF-3.

Depois de contido, o procurador afirmou que ‘queria fazer protesto’. Na Polícia Federal ele ficou em silêncio.

Na audiência de custódia nesta sexta, 4, a defesa de Assunção apresentou pedido de habeas corpus e oitiva com o psiquiatra que atendia o procurador — ambos foram negados.

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