Justiça solta três delegados da PF presos na Operação Inversão

Rodrigo Leão, Carlos Valbão e Ulisses Mendes haviam sido detidos há uma semana por suspeita de envolvimento em esquema de propinas na área de combate a crimes previdenciários

Fausto Macedo e Mateus Coutinho

20 de julho de 2016 | 20h17

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Sede da PF em São Paulo. Foto: Estadão

A Justiça Federal mandou soltar nesta quarta-feira, 20, os três delegados de Polícia Federal presos na Operação Inversão, da Polícia Federal, por suspeita de envolvimento em esquema de corrupção na área de combate a fraudes previdenciárias. A decisão que devolve a liberdade aos delegados Ulisses Francisco Vieira Mendes – aposentado -, Rodrigo Cláudio de Gouvea Leão e Carlos Bastos Valbão é da juíza Ana Clara de Paula Oliveira Passos, da 9.ª Vara Federal Criminal de São Paulo.

A única restrição imposta aos delegados Rodrigo Leão e Carlos Valbão é que eles fiquem afastados de suas funções. Eles integravam os quadros da Delegacia de Combate a Crimes Previdenciários.

A ordem judicial pela soltura dos delegados acolhe pedido de liberdade provisória de seus defensores.

Os delegados haviam sido presos na quinta-feira, 14. Segundo a Procuradoria da República, os policiais ‘transformaram a Delegacia de Combate a Crimes Previdenciários em um balcão de negócios e de impunidade’.

A Procuradoria sustenta que os delegados da PF ‘conduziam investigações para exigir propina’. Eles teriam recebido até R$ 800 mil em propinas, afirma a Procuradoria.

Os advogados dos delegados, no entanto, são taxativos. Eles alegam inocência de seus clientes.

O criminalista Luiz Fernando Pacheco, que defende o delegado Rodrigo Leão, afirmou. “O nosso argumento, acolhido pela 9.ª Vara Federal, é que as acusações que pesam contra ele (Leão) são extremamente frágeis.”

Segundo a Procuradoria, Leão ganhou uma imagem de Santa Rita de Cássia de um homem que ele próprio indiciou em inquérito. O investigado soube que Leão é devoto da santa e o presenteou. Outra parte da acusação diz que o delegado vendeu um título de sócio do clube Pinheiros para um outro investigado contra o qual ele presidiu inquérito há cerca de dois anos.

“Ganhar uma imagem da santa seria um ato de corrupção, no entendimento do Ministério Público Federal”, anotou o advogado Luiz Fernando Pacheco. “Outro ato de corrupção foi vender o título do clube. O dr. Rodrigo Leão nem lembrava do inquérito que tinha presidido contra o comprador do título do clube. As acusações são muito frágeis, elas nos cheiram a perseguição política.”

O criminalista apontou no pedido de liberdade provisória a ”desnecessidade’ da prisão preventiva de Rodrigo Leão e a longa folha de serviços prestados por ele à corporação. “Oferecemos como alternativa da nova legislação o próprio monitoramento eletrônico, mas a juíza achou desnecessário. Ele só fica afastado das funções enquanto a investigação caminhar.”

“Foi uma vitória da Justiça”, declarou Pacheco.

O advogado Ladisael Bernardo, que defende o delegado Carlos Valbão, disse que a prisão de seu cliente ‘ocorreu coincidentemente após ele se desentender com a administração no ano passado’.

“Não tem absolutamente nada contra ele (Valbão) nos autos. O único dinheiro que acharam de depósito demonstrou que se referia a um contrato de empréstimo de consignação, com juros bem baixinhos, um e meio por cento, emprestou para uma pessoa da família. Não tem nada que pudesse ligá lo aos fatos narrados na acusação do Ministério Público Federal. O dr. Valbão não era nem presidente do inquérito do qual resultou tudo isso. Há um certo exagero.”

Segundo Ladisael Bernardo o delegado foi grampeado por um ano. “Não acharam nada, esse país está ficando louco. É preciso repor a verdade. Estão ferindo os princípios da impessoalidade, inventaram uma história e isso não pode acontecer, com um objetivo claro. Se for absolvido criminalmente será demitido administrativamete.”

A juíza Ana Clara de Paula Oliveira Passos, da 9.ª Vara Federal Criminal de São Paulo, também acolheu os argumentos do advogado Olímpio José Ferreira Rodrigues, do escritório Nelson Wilians, que representa o delegado aposentado Ulisses Francisco Vieira Mendes, afiliado à Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF).

A juíza deu liberdade provisória a Ulisses, ex-chefe da Delegacia de Combate a Crimes Previdenciários da PF em São Paulo. De acordo com o advogado, a Operação Inversão quebrou o sigilo telefônico de Ulisses ‘e não foi identificada nenhuma vinculação dele com qualquer irregularidade’,

“Ele (Ulisses) foi alvo da Operação Inversão porque foi chefe da Deleprev, só por conta disso”, declarou Olímpio José Ferreira Rodrigues. “Além disso, ele não representa nenhum risco para a instrução processual, até porque está aposentado. Ele foi incluído na Operação exclusivamente porque era o chefe da Deleprev na Operação Trânsito”, afirma o advogado, referindo-se a uma investigação desencadeada pela PF em 2015 que pegou organização que fraudava concessão de benefícios da Previdência.

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