Justiça solta lobista do PT na Petrobrás

Justiça solta lobista do PT na Petrobrás

Fernando Moura fez delação premiada e revelou pagamento de propina na estatal

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Mateus Coutinho

02 Novembro 2015 | 11h49

Fernando Moura encobriu o rosto no dia de sua prisão. Foto: Gabriela Bilo/Estadão

Fernando Moura encobriu o rosto no dia de sua prisão. Foto: Gabriela Bilo/Estadão

Um dos delatores da Operação Lava Jato, o lobista Fernando Moura, ligado ao PT e ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (Governo Lula), foi solto nesta segunda-feira, 2, às 8h. A informação foi confirmada pela Polícia Federal. Moura foi preso com Dirceu (Governo Lula) na Operação Pixuleco, desdobramento da Lava Jato, deflagrada no dia 3 de agosto.

Em troca de benefícios da Justiça, Moura fez delação premiada e revelou detalhes do esquema de corrupção instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014. No fim de setembro, o juiz Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato, homologou a delação de Fernando Moura.

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A força-tarefa da Lava Jato chegou ao nome de Fernando Moura a partir da delação do lobista Milton Pascowitch, que atuava para a Engevix e utilizava sua empresa Jamp Engenheiros para lavagem de dinheiro de propina. Em seu depoimento, Pascowitch relatou ter conhecido Moura depois de a Engevix ter vencido uma licitação da Petrobrás para a expansão do terminal do gasoduto de Cacimbas 2, em 2004, no valor de R$ 1,3 bilhão.

Em sua delação, Moura disse que participou de campanhas eleitorais do PT e citou, em especial a de 2002, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito pela primeira vez. Seu papel era organizar eventos e levantar fundos. Segundo ele, como auxiliar do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira, ajudou a montar a equipe de governo entrevistando indicados do partido.

O lobista revelou que propina supostamente paga pela empresa Hope Recursos Humanos foi destinada a campanhas do partido nas eleições municipais em 2004. Segundo o empresário, 2% do contrato entre Hope e Petrobrás iam para o Diretórios Regionais da legenda e 1% ia para ele próprio.

Petrobrás. Fernando Moura declarou em delação premiada que recebeu pagamentos de US$ 10 mil mensais pela indicação, em 2003, do engenheiro Renato Duque à diretoria de Serviços da Petrobrás.  Entre 2004 e 2012, o setor foi comandado por Renato Duque – apontado como braço do PT na estatal. A unidade é estratégica na estatal e se transformou em um dos maiores focos de corrupção e propinas desmantelado pela Lava Jato.