Justiça sequestra bens de alvos da Porto Victoria

Justiça sequestra bens de alvos da Porto Victoria

Decisão acolhe pedido da Polícia Federal na operação contra lavagem de dinheiro, evasão e gestão fraudulenta de instituição financeira

Redação

11 de junho de 2015 | 18h27

Dinheiro apreendido pela PF

Dinheiro apreendido pela PF

Por Andreza Matais, Julia Affonso e Fausto Macedo

A Justiça Federal sequestrou bens móveis e imóveis dos alvos da Operação Porto Victoria, deflagrada nesta quinta-feira, 11, pela Polícia Federal. A ordem judicial acolhe pedido da Delegacia de Repressão a Ilícitos Financeiros e Desvios de Recursos Públicos da PF em São Paulo, que conduz inquérito sobre lavagem de dinheiro, evasão de divisas e gestão fraudulenta de instituição financeira.

Todos os valores apreendidos no curso da operação já estão incluídos na ordem de sequestro – nos endereços dos alvos da Porto Victoria, a PF apreendeu R$ 1 milhão em dinheiro vivo, entre euros e reais, além de lingotes de ouro e um diamante.

“Pedimos o sequestro (de bens) para descapitalizar a organização criminosa”, declarou o delegado Alberto Ferreira Neto, que conduz a Porto Victória.

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Conta da petroleira da Venezuela era usada para evasão de dinheiro

+ Ex-vice do Banco do Brasil é preso pela PF

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Onze investigados foram presos, entre eles o ex-vice-presidente do Banco do Brasil Allan Simões Toledo, atualmente executivo do Banif, banco de investimentos. A organização, segundo a PF, realizava exportações fictícias de produtos superfaturados em até 5000% para a Venezuela – os valores pagos eram transferidos para o sistema financeiro em São Paulo, seguindo depois para Hong Kong. Entre os presos da Porto Victoria está o ex-secretário municipal da Copa do Mundo em Curitiba (PR), Luiz de Carvalho, também sob suspeita de lavagem de dinheiro.

“Era ficção”, disse Ferreira Neto, ao se referir às operações de comércio exterior.

Na prática, raramente os produtos importados pela Venezuela chegavam ao País. A grande maioria das transações ficavam apenas ‘no papel’.

Pelo menos 30 empresas, a maior parte delas de fachada, estão na mira da PF. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), órgão de fiscalização do Ministério da Fazenda, identificou movimentações, com indicativo de ocorrência de lavagem de dinheiro, no montante de R$ 3 bilhões.

Uma única empresa da organização movimentou R$ 170 milhões. Além de executivos do Banif, funcionários de outros bancos estão sob suspeita. A PF vai intimar diretores dessas instituições financeiras. A PF quer saber porque falhou o compliance, mecanismo de controles internos e de conhecimento da clientela física e jurídica.

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