Justiça arresta bens e quebra sigilo bancário e fiscal de Gabrielli

Justiça arresta bens e quebra sigilo bancário e fiscal de Gabrielli

Ex-presidente da estatal é alvo de investigação sobre superfaturamento em obras do centro de pesquisas no Rio; construtora Andrade Gutierrez também é investigada

Redação

28 de janeiro de 2015 | 20h58

Por Fausto Macedo e Ricardo Brandt

O ex-presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli. Foto: Ulisses Dumas/Estadão

O ex-presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli. Foto: Ulisses Dumas/Estadão

A Justiça do Rio de Janeiro decretou a quebra do sigilo bancário e fiscal e o arresto dos bens do ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli, do ex-diretor de Serviços  Renato Duque, do ex-gerente de Engenharia Pedro Barusco e da construtora Andrade Gutierrez em investigação sobre superfaturamento de R$ 31,4 milhões em obras do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobrás (Cenpes).

A busca nas movimentações financeiras e dados tributários de Gabrielli, Duque, Barusco, outros cinco servidores da estatal e das empresas alcança período de 2005 a 2010.

A decisão é da juíza Roseli Nalim, da 5.ª Vara da Fazenda Pública, que acolheu pedido do Ministério Público Estadual, feito em dezembro do ano passado, em ação civil pública.

A investigação reúne quatro inquéritos civis da Promotoria do Rio. A Promotoria requereu, ainda, o arresto dos bens dos investigados, acatado pela juíza nesta quarta-feira, 28, exceto para a Petrobrás. Com o arresto, os bens dos réus ficam bloqueados pela Justiça durante a ação.

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Segundo o Ministério Público, as irregularidades consistiram em “sucessivas e superpostas contratações em benefício da Andrade Gutierrez”, “sobrepreço e superfaturamento praticado nos contratos”, “ausência de transparência” na seleção da empreiteira para prosseguir como cessionária de obrigações firmadas entre a Petrobrás e a empresa Cogefe Engenharia Comércio e Empreendimentos.

A apuração teve origem em levantamentos do Tribunal de Contas da União (TCU) em todas as obras do Cenpes, inclusive as relacionadas à ampliação e modernização do Centro. Os auditores identificaram contratos com “valores superiores  aos praticados no mercado, além de firmados por preços superiores aos valores orçados pela própria estatal que, por sua vez, já traziam embutidos os sobrepreços”.

O TCU concluiu que “a ausência de publicidade e observância do devido processo licitatório subtraiu da estatal a oportunidade de selecionar a melhor proposta, aquela que trouxesse maior vantajosidade para a empresa”.

A decisão atinge ainda Sérgio Arantes, ex-gerente Setorial de Estimativas de Custos e Prazos, José Carlos Amigo, ex-gerente de Implementação de Empreendimentos para o Cenpes, Alexandre da Silva, ex-gerente Setorial de Construção e Montagem do Cenpes, Antônio Perrota, e Guilherme Neri, da área de orçamentos e contratos.

Os quatro contratos sob suspeita que envolvem a Andrade Gutierrez e a Cogefe. São serviços de  descarte de resíduos, de terraplanagem, fundações, edificações, pavimentação nas obras do Cenpes.

COM A PALAVRA, A DEFESA:

A assessoria de Gabrielli informou que ele não foi comunicado da decisão judicial e que “não teme qualquer investigação”.

A criminalista Beatriz Catta Preta, que defende Pedro Barusco, não se manifestou.

A Andrade Gutierrez informou que “os objetos dos contratos dos projetos realizados no Cenpes foram executados dentro do estabelecido nas diretrizes contratuais da Petrobrás e as obras foram adequadamente concluídas e entregues”. A empreiteira destacou que não foi notificada da decisão judicial.