Justiça proíbe mulher de oferecer ozonioterapia como tratamento para a covid-19

Justiça proíbe mulher de oferecer ozonioterapia como tratamento para a covid-19

Poliane Cardoso de Freitas oferecia a prática como ‘arma poderosa para combater o surto de coronavírus’; Conselho Regional de Medicina a acusa de ‘charlatanismo’

Pedro Prata

23 de março de 2020 | 18h06

Atualizada às 16h20 de 24 de março de 2020 para esclarecimento do Cremesp.

A 22.ª Vara Cível Federal de São Paulo determinou que Poliane Cardoso de Freitas pare de oferecer o procedimento da ozonioterapia como tratamento para o novo coronavírus. A Justiça acolheu ação com pedido de urgência do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo. Nesta terça, 24, o Conselho informou ao Estado que Poliane não é médica.

Documento

A decisão diz. “Entendo que a divulgação pela ré de qualquer método de tratamento não reconhecido cientificamente para o vírus em questão, em especial a ozonioterapia, se mostra como um ato irresponsável, uma vez que, em razão da ausência de qualquer comprovação científica da efetividade do tratamento até o presente momento, pode prejudicar inúmeras pessoas, que atualmente se encontram em uma situação de vulnerabilidade e fragilidade diante da pandemia.”

O juiz federal anotou que a Organização Mundial da Saúde ainda não identificou qualquer vacina ou tratamento para combater a covid-19. “Assim, entendo que a divulgação nas redes sociais do tratamento de ozônio para combater a pandemia do coronavírus contraria os padrões de ética profissional.”

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A ozonioterapia não é reconhecida cientificamente pelo Conselho Regional de Medicina. Ela só pode ser aplicada para fins de estudo experimental e deve seguir protocolos aprovados por um Comitê de Ética em Pesquisa.

De acordo com a ação do conselho, Poliane divulgou a ozonioterapia nas redes sociais Facebook e Instagram como ‘uma arma poderosa para combater o surto de coronavírus’. Para o Conselho, a prática não passa de ‘puro charlatanismo’.

O número de mortes decorrentes do novo coronavírus no Brasil chegou a 34 nesta segunda, um aumento de 36% com relação a domingo. De acordo com o Ministério da Saúde, houve crescimento de 1.546 para 1.891 pessoas testadas com a doença de ontem para hoje, somando 345 novos casos. O índice de letalidade está em 1,8%.

Ilustração do novo coronavírus. Foto: Lizabeth Menzies/AFP

COM A PALAVRA, POLIANE

A reportagem busca contato com a defesa. O espaço está aberto para manifestação. (pedro.prata@estadao.com)

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