Justiça põe no banco dos réus chicoteadores de jovem negro

Justiça põe no banco dos réus chicoteadores de jovem negro

Davi de Oliveira Fernandes e Valdir Bispo dos Santos, ex-seguranças do Supermercado Ricoy, na zona sul de São Paulo, são acusados de tortura, cárcere privado e divulgação de cenas de nudez

Luiz Vassallo, Pedro Prata e Fausto Macedo

18 de setembro de 2019 | 08h20

A Justiça aceitou a denúncia de tortura, cárcere privado e divulgação de cenas de nudez contra Davi de Oliveira Fernandes e Valdir Bispo dos Santos, ex-seguranças terceirizados do supermercado Ricoy, na zona sul de São Paulo, que chicotearam um adolescente negro flagrado tentando furtar uma barra de chocolate em agosto.

A informação foi divulgada pela TV Globo e confirmada pela reportagem do Estadão.

Na segunda, 16, a Justiça de São Paulo havia pedido a prisão preventiva de Davi e Valdir. No mesmo dia, o Ministério Público do Estado denunciou os seguranças pelos crimes de tortura, cárcere privado e divulgação de cenas de nudez por causa da divulgação de imagens por celular da vítima sendo açoitada completamente despida.

Davi e Valdir já haviam sido indiciados pela Polícia Civil pelo crime de tortura.

‘Temia pela sua vida’

O rapaz afirmou que, no mês passado, ‘em data que não recorda, ‘dentro do Supermercado Ricoy, instalado no local dos fatos, onde apanhou das gôndolas uma barra de chocolate e tentou sair sem efetuar o pagamento’. “Foi abordado na saída pela pessoa de Santos, segurança do local, o qual conhece já há algum tempo”.

“Ele foi auxiliado por Neto que juntos levaram a vítima até um quarto nos fundos da loja”, narrou.

O jovem acrescentou. “Ali a vítima foi despida, amordaçada, amarrada e passou a ser torturada com um chicote de fios elétricos trançados. Ali, permaneceu por cerca de quarenta minutos, sendo agredido o tempo todo”.

“Não sabe dizer se mais alguém percebeu que aqueles seguranças o levaram para dentro daquele quarto onde foi espancado”, consta no termo de depoimento.

“Depois de apanhar bastante foi liberado pelos agressores e não quis registrar boletim de ocorrência pois temia pela sua vida. Na saída do supermercado ouviu santos dizer que caso falasse algo para alguém iria matá-lo”, concluiu.

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