Justiça nega exumação de restos mortais do motorista de JK

Justiça nega exumação de restos mortais do motorista de JK

Decisão da 4ª Vara de Feitos da Fazenda Pública Municipal de BH rejeitou pedido da Câmara Municipal de São Paulo

Redação

01 de julho de 2015 | 13h13

Imagens e documentos da perícia feita após a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek em um acidente de automóvel em 22 de Agosto de 1976, na rodovia Presidente Dutra, altura de Resende, Rio. Foto: Reprodução

Documentos da perícia feita após a morte de JK em um acidente de automóvel, na rodovia Presidente Dutra, altura de Resende, Rio. Foto: Reprodução

Por Julia Affonso e Fausto Macedo

O juiz Rinaldo Kennedy Silva, da 4ª Vara de Feitos da Fazenda Pública Municipal, negou solicitação da Câmara Municipal de São Paulo, em ação ajuizada a pedido da Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog. O processo pretendia obter autorização judicial para a exumação das ossadas de G.R., que conduzia o carro. O veículo bateu com um ônibus da viação Cometa em 22 de agosto de 1976, matando o motorista e o ex-presidente Juscelino Kubitschek, na rodovia Presidente Dutra, altura de Resende, no Rio.

Em decisão anterior, de novembro de 2013, o então juiz Renato Luís Dresch havia determinado a necessidade de que os familiares do motorista fossem ouvidos. As informações foram divulgadas na terça-feira, 30, pelo site do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. A ação tramita na Primeira Instância e cabe recurso. A decisão é de 10 de junho.

O então presidente Juscelino Kubitschek se encontra com o prefeito de São Paulo, Ademar Pereira de Barros. Foto: Arquivo/Estadão Conteúdo/AE

JK durante encontro com o então prefeito de São Paulo, Ademar Pereira de Barros. Foto: Arquivo/Estadão Conteúdo/AE

A Câmara Municipal de São Paulo e a comissão, criada para examinar e esclarecer violações aos direitos humanos ocorridas no período da ditadura militar, alegaram que um exame pericial com as tecnologias atuais poderia esclarecer possíveis pontos das investigações. As mortes poderiam não ter sido provocadas por um acidente, conforme versão oficial, mas pelo homicídio do motorista do veículo que transportava JK, supostamente atingido por disparo de arma de fogo. O objeto da perícia, segundo a Câmara de Vereadores paulistana, seria averiguar a existência de vestígio de projétil no crânio do motorista.

O juiz analisou as provas juntadas pelas partes ao pedido de exumação e, considerando que houve uma investigação de várias instituições do País, concluiu que não havia razões para atender ao pedido. “Se os fatos alegados pela requerente estivessem de acordo com a realidade, estaríamos diante da maior conspiração existente na História deste País para matar um Presidente da República e seu motorista, e para acobertar os autores do crime”, afirmou.

Ainda de acordo com o magistrado, as incongruências apontadas pela Comissão Municipal Vladimir Herzog contrariam as próprias provas juntadas ao pedido judicial de exumação. O juiz Rinaldo Kennedy entendeu que eram suficientes as conclusões advindas de toda a investigação oficial que cercou o caso JK até então, bem como o relatório final da Comissão Nacional da Verdade.

O magistrado indeferiu o requerimento de exumação por considerar, além disso, que a medida judicial não teria utilidade prática, diante das provas do processo, e que não havia fato novo que justificasse outra perícia nos restos mortais do motorista de JK. Conforme o juiz, a autorização judicial requerida só causaria mais dor e sofrimento para os familiares de G.R., que inclusive se manifestaram contrariamente à exumação.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.