Justiça não vê ‘interesse público’ e manda recolher passaporte diplomático do bispo Valdemiro

Justiça não vê ‘interesse público’ e manda recolher passaporte diplomático do bispo Valdemiro

Em decisão liminar, juiz Hong Kou Hen, da 8.ª Vara Cível de São Paulo, determina ao Ministério das Relações Exteriores que recolha, em até cinco dias, documento que governo Bolsonaro concedeu, no último dia 9, ao líder e à sua mulher, Franciléia

Pedro Prata

16 de agosto de 2019 | 16h44

A 8.ª Vara Cível Federal de São Paulo determinou ao Ministério das Relações Exteriores que recolha, em até cinco dias, os passaportes diplomáticos concedidos ao líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, Valdemiro Santiago de Oliveira e a sua mulher, Franciléia de Castro Gomes de Oliveira.

DOCUMENTO: SEM PASSAPORTE –

Documento

De acordo com a liminar, despachada na quarta, 14, pelo juiz federal Hong Kou Hen, ‘não houve comprovação do interesse público’ para a concessão dos documentos diferenciados de viagem aos religiosos. O passaporte havia sido concedido pelo governo Bolsonaro no último dia 9.

Além de suspender os efeitos da portaria, a liminar também determinou que Valdemiro Santiago providencie a devolução dos passaportes diplomáticos. Foto: Marcos Corrêa/PR

As informações foram divulgadas pelo Núcleo de Comunicação Social da Justiça Federal em São Paulo – Processo nº 5014460-51.2019.403.6100.

Na ação popular, o autor sustenta que ‘a entrega dos passaportes diplomáticos não atendeu aos requisitos do Decreto 5.978 de 2006, devido à ausência de fundamentos válidos relacionados ao interesse do país para a referida concessão’.

Na decisão, o juiz ressalta que o fato de alguém exercer a função de líder ou dirigente religioso, por si só, não é justificativa plausível para receber qualquer tipo de tratamento diferenciado ou privilegiado, sob pena de violação do princípio Constitucional da igualdade.

“Vale consignar que a Constituição Federal estabeleceu a laicidade para o Estado brasileiro, ou seja, há uma clara e insuperável separação entre o Estado e as religiões”, pontua o magistrado.

A portaria do ministro das Relações Exteriores que concedeu os documentos de viagem aos corréus, expedida em 7/8, apresentou como justificativa o fato de que, “ao portar passaporte diplomático, seu titular poderá desempenhar de maneira mais eficiente suas atividades em prol das comunidades brasileiras no exterior”.

“A discricionariedade administrativa está limitada à lei e principalmente aos princípios constitucionais que norteiam a administração pública, dentre eles a moralidade. No entender deste Juízo, o ministro das Relações Exteriores não apresentou a necessária justificativa vinculada ao atendimento do interesse do país, quando da expedição da portaria, ora atacada”, afirma Hong Kou Hen.

Além de suspender os efeitos da portaria, a liminar também determinou que Valdemiro Santiago e sua mulher providenciem a devolução dos passaportes diplomáticos no prazo de cinco dias, contados da ciência da decisão, sob pena de multa diária.

COM A PALAVRA, VALDEMIRO

A reportagem busca contato com a defesa do líder da Igreja Mundial do Poder de Deus. O espaço está aberto para manifestação. (pedro.prata@estadao.com)

COM A PALAVRA, O MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES

“O Ministério das Relações Exteriores cumprirá as decisões judiciais.”

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