Justiça mantém ex-assessor especial de Cabral na cadeia

Justiça mantém ex-assessor especial de Cabral na cadeia

Marcelo Bretas, juiz que conduz as ações da Lava Jato no Rio, considera que 'há ainda farto material probatório apreendido a ser analisado' e, por ora, é 'temerária a liberação desse investigado' - Paulo Fernando Magalhães Pinto Gonçalves

Julia Affonso, Mateus Coutinho, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

22 de novembro de 2016 | 23h22

Sérgio Cabral. Foto: Fábio Motta/Estadão

Sérgio Cabral. Foto: Fábio Motta/Estadão

O juiz federal Marcelo Bretas, que conduz as ações da Operação Lava Jato no Rio, prorrogou a prisão temporária de Paulo Fernando Magalhães Pinto Gonçalves, ex-assessor especial do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB). O magistrado estendeu a custódia em mais 5 dias.

“Acolho o pedido de prorrogação de prisão temporária de Paulo Fernando Magalhães Pinto Gonçalves por mais 5 dias, tendo em vista o volume e a complexidade desta operação, fazendo-se necessários, segundo informado pelo Ministério Público Federal, à vista do teor das declarações, maiores esclarecimentos por parte do custodiado e a avaliação de outros elementos, mormente quanto à sua relação com o também investigado Sergio Cabral”, determinou o juiz.

Paulo Fernando foi assessor especial de Cabral entre janeiro de 2007 até a renúncia do peemedebista em abril de 2014. A investigação aponta que ele é ‘empresário atuante em diferentes áreas da economia, mesmo durante o período de exercício do cargo público’.

Sérgio Cabral foi capturado preventivamente na Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato no Rio, no dia 17. Atualmente, encontra-se no Complexo de Bangu. Segundo a investigação, Paulo Fernando foi locador da sala comercial onde funciona a empresa Objetiva, controlada pelo ex-governador, e é dono da Nau Consultoria em Arte Ltda, ‘empresa que contrata os funcionários que prestam serviço à Objetiva’.

Ao pedir a extensão da prisão temporária, o Ministério Público Federal argumentou que ‘há diversos pontos ainda a serem esclarecidos, a exemplo do endereço compartilhado’ pelas empresas de Cabral e de Paulo Fernando, ‘além da identificação do helicóptero de propriedade da família’.

Na decisão, o juiz Marcelo Bretas afirmou. “Considerando que há ainda farto material probatório apreendido a ser analisado, tenho por ora temerária a liberação desse investigado. Com efeito, os pontos ressaltados pelo Ministério Público Federal mostram-se relevantes para que se possa compreender, em detalhes, a participação de Paulo Fernando na organização criminosa”, afirmou o magistrado. “Subsiste, portanto, a fundada suspeita de que o investigado Paulo Fernando seria, digo ainda em tese, apenas “testa de ferro” do investigado Sérgio Cabral.”

COM A PALAVRA, A DEFESA DE PAULO FERNANDO MAGALHÃES PINTO:

Nota do Fragoso Advogados

“A lancha Manhattan, que tem sido atribuída ao ex-governador Sérgio Cabral, é de propriedade de Paulo Marcio Possas Gonçalves, pai de Paulo Fernando Magalhães Pinto, e foi comprada há nove anos, em nome da empresa MPG Participações. É de uso de Paulo Márcio e de sua família e fica permanentemente ancorada na marina Verolme, em Angra dos Reis, não em Mangaratiba.

Pode ter sido emprestada a Cabral de forma absolutamente esporádica, como a outros amigos. Porém é inteiramente descabida a suposição de que a lancha pertenceria ao ex-governador.

O Fragoso Advogados reitera que, diferentemente do que tem sido afirmado, o helicóptero prefixo PP-MOE era de propriedade da família Magalhães Pinto Gonçalves, e nunca foi usado por Sérgio Cabral – como registros de aeroportos e heliportos podem comprovar.

Paulo Fernando aluga um conjunto de salas para atividades de suas empresas privadas. Cabral divide mensalmente as despesas das salas e consta como co-locatário no contrato de locação.

Paulo Fernando refuta veementemente a suposição de que seria “laranja” ou “testa-de-ferro” de Sérgio Cabral.”

Fragoso Advogados

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